Dia 28 de maio é dia de luta pela redução da jornada

Metalúrgicos de São José dos Campos farão mobilizações pela redução da jornada sem redução de salários e direitos e sem banco de horasO dia 28 de março será um dia nacional de luta dos trabalhadores. Neste dia, em todo o país, ocorrerão atos, protestos e paralisações exigindo a redução da jornada sem redução de salários e direitos e o fim do fator previdenciário.

Os metalúrgicos da General Motors de São José dos Campos (SP) estarão na vanguarda das mobilizações, contra os patrões e o governo. Em assembléia no segundo turno da empresa, no dia 5 de maio, cerca de 3 mil trabalhadores aprovaram a proposta da direção do sindicato, de tornar a data um dia de luta. Neste dia, haverá atos nas fábricas de São José, passeatas e protestos.

Também serão realizados atos nas concessionárias da General Motors em todo o país, para mostrar à população que a empresa, apesar de bater recordes de vendas de veículos no Brasil, insiste em retirar direitos de seus trabalhadores. Desde janeiro que os metalúrgicos enfrentam os ataques da empresa, tendo recusado a proposta de abrir mão de direitos em troca de 600 novos empregos. A luta contra o banco de horas tornou-se uma campanha nacional e foi um dos eixos dos atos do 1º de Maio classista em todo o país.

Superexploração
Apesar do crescimento da economia e do lucro das empresas nos últimos anos, os trabalhadores não obtiveram melhorias reais em seu nível de vida. A maior parte dos novos empregos vem acompanhada de baixos salários, perda de direitos e superexploração. É justamente esse ritmo de trabalho brutal que garante o alto lucro das empresas e dos bancos, tornando o Brasil um paraíso para os empresários e especuladores. Enquanto lucram, o trabalhador sofre com as altas jornadas, o crescimento dos acidentes de trabalho e a precarização do trabalho.

Uma das formas encontradas pelos patrões para aumentar o lucro é o banco de horas. Com ele, a mão-de-obra do trabalhador pode ser “ajustada” de acordo com as condições de produção. Já não há mais uma jornada fixa. Trabalho aos sábados e domingos e jornadas de 10 ou 12 horas tornam-se comuns. As empresas passam a ter total controle sobre a vida do trabalhador, podendo ordenar que ele trabalhe mais horas ou fique em casa de acordo com a demanda. Se há necessidade de carros nas concessionárias, trabalha-se ao máximo, até no sábado ou domingo. Se as vendas caem, simplesmente folga-se no meio da semana. Esse recurso é usado em diversos setores, através de acordos com sindicatos pelegos. Em São José dos Campos, os trabalhadores disseram não a esta chantagem e iniciaram uma campanha internacional em defesa dos direitos, inclusive visitando os metalúrgicos da GM em outros países, como Argentina e Estados Unidos.

O salário do trabalhador também vem sendo atacado. Além da ganância dos patrões, que insistem em reajustes ridículos como na construção civil de Fortaleza, existem as perdas com a inflação. A crise dos alimentos fez com que o preço da comida subisse fortemente. Esse aumento é sentido pelos trabalhadores, principalmente os que ganham até dois salários mínimos e que gastam até 40% de sua renda com alimentação. Para esses trabalhadores, o aumento do feijão e do arroz tem sido brutal e a tendência é de seguir aumentando.

A crise dos alimentos é mundial e ocorre porque a produção está voltada para a exportação, com o plantio de cana e soja. O aumento dos preços está provocando revoltas em diversos países, como o Haiti, onde uma explosão popular tomou conta das ruas por quatro dias e foi reprimida pelas tropas da ONU. No dia 28, Lula estará no Haiti. Este dia também deve ser um dia de luta pela retirada das tropas de ocupação, dirigidas pelo Brasil, que mataram ao menos seis haitianos durante os protestos.

Um dia para lutar
O dia 28 é, assim, um dia para protestarmos contra os ataques aos trabalhadores e avançarmos. A redução da jornada poderia gerar, pelo menos, 2,2 milhões de novos empregos em todo o país. Mas, de nada servirá, se vier acompanhada de redução de salários e de direitos. Os trabalhadores sabem que uma jornada menor será apenas formalidade, se persistirem instrumentos de exploração como o banco de horas. Os encarregados e chefes continuarão controlando a vida do trabalhador, exigindo que cumpram jornadas muito além do que diz a lei. Uma redução da jornada, feita desta forma, será mais uma armadilha para os trabalhadores.

A CUT e a Força Sindical defendem a redução da jornada, recolhendo assinaturas em todo o país. No entanto, ignoram a luta contra a redução de direitos e o banco de horas e vários de seus sindicatos realizam acordos, entregando os direitos dos trabalhadores.

Não adianta somente fazer abaixo-assinados. Temos que realizar fortes mobilizações, seguindo o exemplo dos metalúrgicos da GM, e forçar o governo Lula, que até agora só legislou a favor das grandes empresas, a assinar uma lei que beneficie de fato os trabalhadores.

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