Um dos destaques da semana foi a rara oportunidade que Vera teve em participar de um debate com a maioria dos candidatos e candidatas à prefeitura de São Paulo. Dando “uma lição” para as grandes emissoras, o “Universidade vai às Urnas”, um projeto organizado por 13 entidades estudantis, que busca aproximar o mundo universitário e a política institucional, provou que é, sim, possível, realizar debates com todos partidos e que não há critério que justifique o veto, a não ser a recusa em ouvir, em alto e bom som, a denúncia veemente do sistema.

Mesmo que alguns tenham fugido da raia – com destaque para Bruno Covas (PSDB) e Celso Russomano (Republicanos) –, o debate, com desonrosas exceções que comentaremos abaixo, correu muitíssimo bem, contando com a participação de Arthur do Val (Patriota), Guilherme Boulos (PSOL), Jilmar Tatto (PT), Joice Hasselmann (PSL), Márcio França (PSB), Marina Helou (Rede) e Vera Lúcia (PSTU).

Já Orlando Silva (PCdoB) teve uma participação um tanto “inusitada”. Chegou atrasado, só pra mandar um abraço para Boulos, que quase soou como uma declaração de voto: “Feliz em ver o meu colega Guilherme Boulos, ele que é uma figura tão presente na vida da nossa cidade”. E só voltou ao final.

íntegra do debate pode ser vista na página do “Universidade vai às urnas” (https://www.facebook.com/guilhermeboulos/videos/438758897106377) ou pelo YouTube (https://youtu.be/AD8L9VRwRwM).

O debate foi destacado pelo Portal Terra numa manchete que, de fato, não faz justiça ao evento – Em debate virtual, candidatos de SP trocam ataques e ofensas – a não ser que se resuma à lamentável participação de Artur do Val (o desprezível “Mamãe Falei”), suas trocas de farpas com Boulos e Tatto e insultos e provocações generalizados, um deles destinado à nossa candidata, ao tentar ridicularizar o programa do partido (por ter “apenas seis páginas”).

Mas, Vera não deixou por menos, lembrando não só que a forma desrespeitosa como Artur do Val se dirigiu a ela é exemplar do racismo, machismo, xenofobia, além de preconceito e arrogância de classe (coisas seríssimas, tratadas como “mimimi” e desprezadas pelo playboy, mas, por isso mesmo, propagadas por ele), como também apontou com quem ele aprendeu e quem é seu mestre.

“Uma pessoa que apoia um governo do tipo de Bolsonaro jamais poderia governar São Paulo para as mulheres, os negros, a classe LGBT e a classe trabalhadora”, disse Vera.

Durante o debate Vera teve a oportunidade de dizer a que veio. E responder com outro nível de inteligência ao provocador que só destila preconceitos, insultos, desrespeito, em defesa de seus privilégios, fica ainda mais evidente na cobertura desta semana, na qual os órgãos de imprensa noticiaram vários aspectos de nosso programa, com destaque para a sabatina feita pelo UOL/Folha de S. Paulo, que destacaremos ao final.

Um programa socialista e revolucionário contra a fome e a catástrofe social

A participação da Vera no debate foi destacada pelo Portal R7, da Rede Record, na sexta, dia 29, no artigo Candidatos usam lives para apontar desafios da próxima gestão em SP (https://noticias.r7.com/eleicoes-2020/candidatos-usam-lives-para-apontar-desafios-da-proxima-gestao-em-sp-29102020), que noticiou que “Vera Lúcia destacou a questão da fome na sociedade atual e cobrou a adoção de políticas estruturais para garantir alimentação e boas condições de vida para a classe trabalhadora, algo além dos atuais programas assistencialistas em vigor no país.”

“Estima-se que 56 milhões morrem de fome todos os anos por desnutrição. Mais de 150 mil por dia. Isso ocorre porque 90% do mercado mundial de alimentos é controlado por 50 grandes empresas. Diante da catástrofe social que vivemos, é preciso um programa emergencial para já. Mas sem uma política estrutural que atenda às necessidades da classe trabalhadora e do povo pobre, a fome nunca vai acabar”, declarou Vera.

Também na segunda, o portal ABCdoABC, apresentou a biografia e programas no artigo “Candidatos a prefeito de SP nas eleições 2020; veja quem são” (https://www.abcdoabc.com.br/abc/noticia/candidatos-prefeito-sp-eleicoes-2020-veja-quem-sao-110836), no qual o plano de governo do PSTU é sintetizado da seguinte forma: “O plano (…) é marcado pela crítica aos governos federal, estadual e à atual gestão municipal. Entre suas principais propostas está a estatização de diversos serviços municipais em áreas como transporte, saúde, educação e coleta de lixo. O documento também propõe a formação de conselhos populares setoriais, eleitos por classes de trabalhadores e com poder de deliberação superior ao da Câmara Municipal.”

O mesmo foi feito pelo Porta R7, no dia 26, na matéria Confira os planos de governo dos candidatos à Prefeitura de SP (https://noticias.r7.com/eleicoes-2020/confira-os-planos-de-governo-dos-candidatos-a-prefeitura-de-sp-26102020?amp), que destacou outros pontos da alternativa socialista e revolucionária defendida pelos nossos candidatos e candidatas país afora:

“Crítica às gestões municipal, estadual e federal durante a pandemia de covid-19, Vera Lúcia apresenta seu programa com o slogan “São Paulo precisa de uma alternativa socialista”. No plano, a candidata do PSTU defende a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redução de salários, obras públicas e ampliação de serviços públicos para “gerar empregos com carteira assinada”, além de reserva de 70% das vagas para mulheres e negros.”

A reportagem ainda destacou que, no programa, “Vera prega o direito à moradia, alimentação, cultura e informação, o combate a diferentes formas de intolerância e defende que as aulas presenciais só retornem quando houver vacina contra a covid-19”, lembrando que o Plano de Governo do PSTU defende que “os ricos paguem pela crise econômica”, com o fim da isenção de impostos para grandes empresas, além da taxação de grandes fortunas e o aumento de impostos sobre bancos e grandes corporações.

Os programas para a prefeitura também foram destacado pela Gazeta do Povo, na segunda, dia 26, no artigo “Conheça planos de governo e propostas dos candidatos a prefeito de São Paulo” (https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/planos-de-governo-candidatos-prefeitura-sp/).

Em relação ao PSTU, a matéria destaca que o programa defende o “fim do capitalismo e a revolução socialista”, contém críticas e ataques ao governo Bolsonaro, às gestões do prefeito Bruno Covas e do governador João Doria, e aos demais partidos, ressaltando que entre as propostas estão a formação de conselhos populares com poder deliberativo superior à Câmara Municipal, redução da jornada de trabalho para 30 horas, obras públicas em todas as áreas e investimentos nos serviços públicos.

A Gazeta ainda destacou que nosso Plano de Governo também estabelece que “a prefeitura irá complementar o auxílio emergencial federal até alcançar R$ 1.163, valor do salário mínimo, até o fim da pandemia”; que “desempregados terão isenção de faturas de água, luz e gás e os despejos serão suspensos”; que “a volta às aulas se dará apenas depois que a vacina estará disponível”; que será implementada a “tarifa zero no transporte público” e que “30% do orçamento municipal será destinado à educação”.

Acrescentando, por fim que, “para combater a crise econômica, Vera propõe taxar bancos e igrejas, instituir o IPTU progressivo e suspensão da dívida municipal de R$ 3 bilhões” e que “a Guarda Municipal servirá apenas para a segurança patrimonial e estará submetida ao conselho popular de segurança”.

Outros pontos importantes de nosso programa foram expostos no dia 28, no Portal R7, que deu destaque à saudação que Vera fez na abertura do 25° Congresso do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Estado São Paulo (Sindsef-SP), reafirmando que o seu maior compromisso com a categoria é “seguir na luta contra Reforma Administrativa e contra a privatização, especialmente do SUS,  do qual dependem milhares de trabalhadores  pobres”. (https://noticias.r7.com/eleicoes-2020/desigualdades-sociais-e-sus-sao-abordados-por-candidatos-em-sp-28102020?amp).

Opressão se combate atacando o Capital

Na segunda, 26 de outubro, Vera participou da uma conversa online em torno do tema “Um Programa de Raça e Classe contra o Genocídio Negro”, da qual também participaram duas de nossas candidatas a vereadoras: Eliana Cezário e Shirley Silvério.

Durante quase duas horas, as candidatas discutiram as relações entre capitalismo e racismo, denunciaram a intolerância contra as religiões de matriz afrobrasileira, discutiram a necessidade de um combate de “raça e classe” para barrar o genocídio e todas demais manifestações da opressão racial.

Um trecho da “live” foi apresentado pelo SPTV 1ª Edição (https://globoplay.globo.com/v/8971619/), cujo link também está disponível no artigo publicado pelo Portal G1, que destaca uma das principais propostas apresentadas para combater os efeitos concretos do racismo e do machismo: Vera Lúcia defende que 70% das vagas em obras da Prefeitura de SP sejam preenchidas por pretos, pardos e mulheres (https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2020/noticia/2020/10/26/vera-lucia-defende-que-70percent-das-vagas-em-obras-da-prefeitura-de-sp-sejam-preenchidas-por-pretos-pardos-e-mulheres.ghtml).

“O plano de obras públicas do PSTU tem como um dos seus critérios a contratação de 70% da sua força de trabalho, da sua mão de obra, de mulheres e de negros. (…) Porque, com isso, nós conseguimos pegar esse setor da nossa classe, que é exatamente o mais afetado, pra que ele possa ser atendido num plano de renda, que nós defendemos que seja um salário mínimo, o piso de SP, que é R$ 1163,00, que ele esteja incorporado no plano de obras públicas que atende as demandas dos mais pobres, principalmente de SP a exemplo da moradia, a exemplo do transporte público, do saneamento básico… A exemplo do SUS, da saúde. Então esse plano de obras ele deve abarcar, tem esse critério pra contratação”, disse a candidata.

A cobertura do telejornal da Globo também deu destaque para a proposta do PSTU em relação à moradia, um problema que, sabemos, também afeta de forma particularmente cruel a população negra e as mulheres: “Os imóveis que estão destinados hoje à especulação imobiliária, desde os galpões, os prédios inteiros que estão desocupados e terrenos, pra serem destinados à moradia popular”, afirmou Vera.

A conversa com apoiadores e militantes negros e negras também foi tema da cobertura diária sobre as candidaturas do Porta R7, no artigo “SP: Candidatos falam sobre renda solidária e economia” (https://noticias.r7.com/eleicoes-2020/sp-candidatos-falam-sobre-renda-solidaria-e-economia-26102020).

“A política dos sucessivos governos para salvar os capitalistas da crise é atacar os direitos dos trabalhadores. As consequências dessa política e os efeitos da crise têm levado ao rebaixamento das condições de vida do conjunto da classe trabalhadora e submete um setor, especialmente as mulheres, negras e negros, imigrantes e LGBTs, a uma condição de barbárie social, com o aumento da miséria, desemprego e violência. Vidas negras importam”, concluiu Vera.

Em defesa dos entregadores de aplicativos e da mobilidade urbana

Na segunda, dia 26 de outubro, o SP TV 2ª Edição, da Rede Globo, questionou os candidatos à prefeitura sobre o que defendem em relação aos trabalhadores e trabalhadoras de aplicativos de entrega e transporte. Vera (cuja fala começa aos 2:46 minutos, https://globoplay.globo.com/v/8966998/programa/) foi a única a tocar na raiz do problema.

“As empresas de aplicativos são multinacionais que recebem rios de dinheiro, inclusive na pandemia, sem pagar quase nada de impostos, e os entregadores de aplicativo trabalham em condições de penúria, ao ponto de entregar comida estando com fome, sem terem nenhum direito trabalhista”, disse nossa candidata.

E lembrando que foi esta situação que levou a categoria à paralisação, Vera também destacou o que aconteceria em um governo do PSTU: “essas empresas vão ter que assinar carteira e pagar direitos trabalhistas; além disso, vão pagar muitos impostos, porque não achamos, como outros candidatos, que estas grandes empresas são solidárias; são, sim, superexploradoras”. E se não se adequarem às regras, o PSTU também tem uma proposta para manter os empregos: a criação de uma Empresa Municipal de Aplicativos.

No dia 27, o Portal G1 deu 30 segundos para que os candidatos e candidatas à prefeitura respondessem à pergunta “O candidato pretende reduzir os subsídios às empresas de ônibus? Se sim, de que forma?” (https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2020/noticia/2020/10/28/candidatos-a-prefeito-de-sp-dizem-se-pretendem-reduzir-os-subsidios-as-empresas-de-onibus-videos.ghtml).

“É inaceitável que vá quase R$ 4 bilhões em subsídio para a máfia dos transportes” e que, caso seja eleita, pretende “cortar os subsídios e estatizar os transportes, sem pagar indenização”, acrescentando, ainda, que “quem fala que vai combater a máfia dos transformar, reduzir tarifas e assegurar qualidade, sem reestatizar e sem controle popular, está mentindo”, respondeu Vera (assista em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/video/onibus-vera-lucia-candidata-a-prefeitura-pelo-pstu-8959847.ghtml).

Na sexta, dia 30, o Portal R7 destacou “Emprego e mobilidade são citados na agenda de candidatos em SP” (https://noticias.r7.com/eleicoes-2020/emprego-e-mobilidade-sao-citados-na-agenda-de-candidatos-em-sp-30102020), registrando parte da fala de Vera para o portal Vá de Bike, que trata da mobilidade por bicicleta nas grandes cidades brasileiras. Nossa candidata, que na semana passada também participou de uma live intitulada “Derrotar a Máfia dos Transportes na Cidade de SP”, defendeu a construção de ampla malha de ciclovias, seguras, planejadas e integradas a outros meios de transporte coletivo.

“Muita gente usa bicicleta por causa do preço alto das tarifas dos transportes e dos baixos salários. Outros fazem por consciência ambiental. O modelo de cidades capitalistas privilegia circulação de automóveis e garantia dos lucros das grandes empresas. Por isso, não investe em outras modalidades, como as ciclovias. As que existem são insuficientes e inseguras. É preciso fazer uma revolução no transporte urbano. Estatizar o transporte é o primeiro passo para termos um transporte barato e de qualidade, ampliar o uso de transportes alternativos e a integração entre modais”, declarou Vera.

Uma resposta revolucionária à crise do capitalismo

Na terça, 27, nossa candidata foi sabatinada pela plataforma do UOL e Folha de S. Paulo. A entrevista foi noticiada pelo site do jornal sob a manchete Vera Lúcia defende estatizar transporte, confiscar imóveis e postergar dívida em sabatina Folha/UOL (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/10/sabatina-folhauol-recebe-vera-lucia-de-sao-paulo-gloria-heloiza-do-rio-e-marchezan-jr-de-porto-alegre.shtml) e pelo Portal UOL, no artigo Vera Lúcia fala em romper com capitalismo e em criação de conselho popular (https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2020/10/27/sabtina-uol-folha-vera-lucia-candidata-do-pstu-a-prefeitura-de-sao-paulo.htm).

Vale conferir a entrevista na íntegra (são só 30 minutinhos e está disponível no YouTube (https://youtu.be/hzBQvtzRtbE), mas seguem abaixo alguns trechos em que Vera discute, dentre outras coisas, o papel e funcionamento dos conselhos populares, nossas diferenças com candidatos como Guilherme Boulos (PSOL), Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB) e vários pontos de nosso programa. Respondendo à primeira pergunta, sobre qual seria o maior problema na cidade de São Paulo, Vera, como sempre, foi direto ao ponto.

“O maior problema que afeta a cidade de São Paulo é o mesmo que afeta o mundo e o Brasil: o desemprego galopante em meio a uma pandemia (…). Frente a isto, o PSTU apresenta uma alternativa socialista e revolucionária, baseada num plano para o emprego, pra vida e pra renda; o que significa dizer que temos que ter um plano de obras públicas, estatização dos transportes, moradia imediatamente, renda para os que estão desempregados (…), sendo que não temos ilusão alguma de que o capitalismo poder resolver estes problemas completamente”, sintetizou.

Falando sobre os conselhos populares, Vera explicou o porquê e com qual objetivo: “precisamos nos organizar em conselhos populares e criar condições para destruir o sistema capitalista, que é o maior genocida”, destacando que esta é a forma mais democrática para administrar a cidade.

“A classe trabalhadora precisa estar organizada e decidindo, ela mesma, sobre os destinos da cidade. Nós já experimentamos a votação a cada 2 anos, com o controle econômico e político nas mãos das câmaras de vereadores, dos prefeitos, governos e a Presidência da República. Os problemas que afetam as classes trabalhadoras, principalmente as mulheres e negros do Brasil, do mundo e de São Paulo, só continuam se aprofundando”, disse Vera, num trecho de sua fala que também pode ser vista em um vídeo do UOL: https://noticias.uol.com.br/eleicoes/videos/2020/10/27/candidata-do-pstu-pretende-criar-conselhos-populares-com-poder-da-camara-municipal-em-sp.htm

Questionada sob a viabilidade e até mesmo legitimidade constitucional dos conselhos, Vera devolveu a pergunta escancarando o caráter completamente ilegítimo da chamada “democracia dos ricos” e suas instituições.

“A Câmara de Vereadores, para ser democrática, ela também deve se sujeitar. Ela não disse que é a casa do povo? Não disse que a vereância é para atender a demandas da população e legislar a favor dela? Ela vai ter a oportunidade de fazer isso pela primeira vez em São Paulo com a classe trabalhadora organizada aos milhões. E aí a gente vai ver o que é mais democrático (…). Você acha que pode ser autoritário, uma classe trabalhadora, o povo pobre decidindo sobre os rumos da economia e da política sobre a sua totalidade (…)? Nós estamos dizendo que em São Paulo vai se ter pela primeira vez um nível de democracia exercida como nunca houve antes. Não vamos votar apenas no dia da eleição. A classe trabalhadora organizada vai votar sobre toda a vida política e econômica da cidade. E isso não é autoritarismo”, disparou nossa candidata.

Quando perguntada de onde saíra o dinheiro para a implementação de nossas propostas, como o plano emergencial de obras públicas para gerar emprego e renda na crise pós-pandemia, Vera também não vacilou: “Primeiro nós vamos tirar dos grandes empresários, retirar [o peso] das costas da classe trabalhadora”

Não há reforma possível para o capitalismo

Ainda na sabatina da UOL/Folha, Vera discutiu o combate ao desemprego, denunciando a impossibilidade de conquistarmos pleno emprego sob o sistema capitalista.

“Nós não temos nenhuma ilusão de que o sistema capitalista pode resolver o problema do emprego completamente, porque no sistema capitalista a concorrência é uma necessidade, é da sua natureza. Portanto, o plano emprego exige que, para além desse plano imediato, a gente crie as condições para criar uma nova sociedade, que é a sociedade que nós defendemos, que é a sociedade socialista”, enfatizou Vera.

Por esta e outras, Vera também não poupou as candidaturas que pregam ilusões no sistema, vacilam diante de uma proposta de ruptura radical com o capital ou diretamente investem na conciliação de classes, dando exemplos concretos em relação aos candidatos do PT, PCdoB e PSOL.

“Orlando Silva [PCdoB] é defensor aqui, e é defensor no Congresso Nacional, da mesma política de [ministro da Economia, Paulo] Guedes, que é de isentar as grandes empresas de impostos. Nós somos o contrário, é a micro e pequena empresa que deve ser isenta de tudo isso e ter financiamento a custo zero, com o único critério de não demitir. [Candidato do PT, Jilmar] Tatto disse que acabou com a máfia do transporte e instituiu o bilhete único, a máfia do transporte permanece e o bilhete único se foi”, disse Vera.

Já Guilherme Boulos, faz projetos que “trabalham em paralelo ao sistema capitalista (…), diz que vai resolver o problema da pobreza e da fome que amargamos em São Paulo, através da revolução solidária. A ‘revolução solidária’ são apenas projetos que trabalham em paralelo com o sistema capitalista, a coexistência de dois sistemas em duas formas não podem acontecer numa mesma sociedade”, concluiu Vera.

Questionada, ainda, sobre o que nossa defesa da ruptura com as relações com o Estado de Israel tem a ver com a cidade de São Paulo, Vera fechou sua participação denunciando o genocídio da juventude negra e destacando nossa solidariedade ao povo palestino.

“Tem tudo a ver. Primeiro, porque Israel é um Estado genocida e racista (…). E mais: tem a ver com a juventude negra que é assassinada nos bairros. As balas que matam, os caveirões que sobem [nas vielas] daqui e das periferias das grandes cidades deste país são produzidos por Israel, em acordos econômicos com o governo federal, mas também com a prefeitura de São Paulo. Nós vamos acabar com estes negócios porque também somos solidários com o povo palestino, que tem direito às suas terras e às suas vidas (…)”, afirmou Vera.