Depois de reduzir salário de trabalhadores, Embraer dá aumento de 17% à alta cúpula da empresa

Administradores dividirão uma bolada de R$ 69 milhões

O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas, requisitou uma reunião extraordinária com a direção da Embraer, após ter conhecimento do aumento de 17% na remuneração dos administradores da empresa. A carta dirigida ao presidente da Embraer foi protocolada na terça-feira (12).

Esses privilegiados são 29 membros do Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Diretoria, que dividirão um total de R$ 69 milhões. Eles próprios definiram o aumento e levaram para aprovação em Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária dos acionistas, no dia 29 de abril. Na votação, o número de abstenções (37.076.495) foi superior ao de aprovação (23.710.259).

O aumento concedido aos administradores é uma afronta aos trabalhadores, que tiveram seus salários reduzidos, em razão da crise provocada pelo coronavírus. Em abril, foi assinado o acordo para a suspensão de contratos e redução de salário e jornada.

Baseado na Medida Provisória (MP) 936, a alteração nos regimes de trabalho proposta pela Embraer gerou perdas salariais de até 36,4%. O sindicato também cobra que a Embraer se posicione frente ao fim do processo de venda para a Boeing e as possíveis consequências para os metalúrgicos.

Não há dúvidas de que a Embraer deve explicações aos trabalhadores. A maior parte de seus funcionários tem amargado as perdas salariais. Não é possível que neste cenário de crise a fábrica aumente a remuneração dos administradores”, afirma o diretor do sindicato André Luis Gonçalves, o Alemão.