Depois das eleições, um pacote de medidas contra os trabalhadores

Reformas e alca serão aceleradas após as eleiçõesO Financial Times, jornal inglês ligado ao grandes bancos, noticia assim os resultados das eleições no Brasil: “O presidente e a sua política econômica ortodoxa, que levou à recuperação econômica deste ano com certeza deverão se beneficiar dos resultados”. Mais adiante, o bem informado jornal diz que esta vitória do PT facilitará a reforma Trabalhista, que flexibilizará os direitos dos trabalhadores.

Trata-se de uma verdade, escondida com as promessas de candidatos do PT ou da oposição burguesa. O governo, em acordo com a oposição de direita, está preparando para depois das eleições um verdadeiro pacote de maldades contra os trabalhadores.
Basta enumerar os projetos pós-eleitorais do governo para perceber a dimensão do que estamos afirmando.

Logo após as eleições dos EUA e do segundo turno no Brasil, as negociações da Alca serão aceleradas. Apesar das diferenças entre o governo brasileiro e o norte-americano sobre temas menores, existe um grande acordo em garantir a Alca. Os adiamentos sucessivos tinham menos a ver com essas diferenças e mais com as eleições dos EUA, pelo fato da Alca ser lá, também, impopular. Depois das eleições, o próprio chanceler brasileiro Celso Amorim já admitiu que as negociações serão retomadas com força.

O governo já tem pronta a proposta de reforma Sindical e acordo com as direções da CUT e do Força Sindical em impulsionar a reforma Trabalhista. Neste fim de ano, ou no máximo do começo de 2005, o governo estará enviando seu projeto ao Congresso, que vai atacar o direito de férias e o 130 salário.

O governo, no meio das eleições, iniciou a reforma Universitária, com a medida provisória que estabelece o Prouni, o financiamento público das escolas particulares. Em novembro, o Senado votará a reforma do Judiciário, que vai estabelecer a chamada “súmula vinculante”, que impõe as decisões do Supremo Tribunal Federal (no qual o governo tem maioria) a todo o Judiciário, acabando com a iniciativa dos juízes de primeira instância. A reforma também vai autorizar a possibilidade de que um fórum privado estrangeiro se sobreponha à Justiça nacional, em preparação para a Alca.

Além disso, o governo Lula adiou para depois das eleições o aumento da gasolina, que já está definido. Como se vê, tudo muito diferente das promessas de Duda Mendonça…
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