Demissão em massa durante a pandemia ameaça a vida dos operários do Comperj

Foto Ag Petrobras

Rodrigo da Silva, do Rio de Janeiro (RJ)

Operários que atuam nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ) estão sendo demitidos em massa. Desde ontem, dia 19 de março, centenas de trabalhadores estão sendo dispensados pelas empresas terceirizadas responsáveis pelas obras, sem qualquer informação sobre o motivo da redução brusca de postos de trabalho.

O motivo é sabido por todos. Os empresários tentam proteger seus lucros diante da crise causada pela expansão da pandemia. A situação dos operários no local é precária, sem alojamentos, com transporte precário em ônibus e com muitas pessoas apresentando sintomas da doença. E as empresas não estabeleceram qualquer medida para evitar a expansão da epidemia nos canteiros, nem mesmo disponibilizar álcool em gel. Pelo contrário, há locais em que a patronal tenta convencer os trabalhadores que não há motivo de preocupação, mas um grande exagero da mídia. O descontentamento geral já levantava a possibilidade de uma greve espontânea, para a preservação das suas vidas e de suas famílias.

As obras no COMPERJ foram paralisadas em 2015, e naquele momento milhares de trabalhadores foram demitidos e não tiveram seus direitos garantidos. Depósitos em atraso do FGTS, não pagamento de aviso prévio e mesmo o salário no período trabalho não foram honrados pelas empresas.

Faz menos de 1 ano que as obras foram retomadas, e grande parte destes trabalhadores ainda não possuem tempo o suficiente de contrato para receber aviso prévio, ou mesmo férias. As demissões vão colocar os operários em uma situação totalmente precária, em um momento de extrema necessidade com a expansão da pandemia.

Além disso, uma grande parte destes trabalhadores é oriunda de outros estados, e vieram para o COMPERJ para conseguir trabalho. Sem emprego e sem renda, com o isolamento do estado e as limitações para se movimentar mesmo dentro do Rio, estas pessoas são colocadas em uma situação de vulnerabilidade ainda maior.

Ao invés de tomar medida para a proteção dos trabalhadores, os empresários decidem demitir em massa para recontratar depois. Não podemos admitir tal covardia!

Revogar todas as demissões e suspender as atividades com o pagamento integral dos salários!

Estatizar as empresas sob o controle dos trabalhadores. Por uma empresa de obras públicas!

A vida e a saúde do povo em primeiro lugar!