Debate sobre Revolução russa reúne 200 pessoas no Rio de Janeiro

Militantes e ativistas atentos ao debate
Cris Geyer

Cerca de 200 pessoas lotaram o auditório do Sindjustiça-RJ na nublada noite da última quinta-feira, 11 de maio, para o debate “90 anos da Revolução Russa” e o lançamento do livro Ditadura Revolucionária do Proletariado, do revolucionário argentino e fundador da LIT, Nahuel Moreno. Ao completarem-se 90 anos da Revolução Bolchevique de outubro de 1917 e 20 da morte de Moreno, o PSTU-RJ promoveu o evento que contou com os expositores João Ricardo Soares, do PSTU, e Silvia Santos da Corrente Socialista dos Trabalhadores, do PSOL.

João Ricardo ressaltou o que, para ele, é o tema mais polêmico na esquerda atual: a necessidade da ditadura do proletariado. “Um partido que não tenha clareza do papel do Estado na estratégia do proletariado acabará por concentrar seu programa no problema do governo e na estratégia eleitoral”, afirmou. Ele esclareceu que ditadura do proletariado não é um regime totalitário, mas a democracia operária e, nesse sentido, também o combate à burocracia.

O dirigente do PSTU questionou o propagandeado “Socialismo do Século XXI” e concluiu que um projeto que tem como sujeito político as Forças Armadas e preserva a propriedade privada e o Estado burguês está longe de ser um caminho para o socialismo.

Partindo da discussão sobre o “chavismo”, Silvia Santos alertou para as conquistas arrancadas pelos trabalhadores venezuelanos desde 1989 até os dias de hoje e, também, para as atitudes políticas independentes do imperialismo que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vem tomando, como, por exemplo, sua posição sobre o Iraque.

Entretanto, Silvia disse que as conclusões tiradas do processo revolucionário russo também valem para a América Latina e Venezuela atuais. Ela opinou que a Venezuela não caminha para o socialismo, e nada indica que o fará, se o processo se restringir à liderança de Chávez, das Forças Armadas e do PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela), sem estar baseado no proletariado e num partido independente.

Como lembrou a dirigente do PSOL, o nome do PSUV foi alterado. A idéia inicial era inspirada no projeto stalinista de “partido único”. Silvia chamou os revolucionários a não ingressarem no PSUV. Recentemente, Chávez deu um ultimou as forças de esquerda a entrarem no PSUV para conformar um partido único sob seu comando.

Sílvia Santos terminou dizendo que a restauração do capitalismo na China e na URSS não mudou a época histórica que vivemos, ou seja, estamos ainda nos primeiros 90 anos da época definida por Lênin como “de guerras e revoluções”.

As lições que tiramos da Revolução Russa e de seus próprios erros se resumem numa aparente contradição sintetizada nas palavras de João Ricardo: “foi restaurado o capitalismo na União Soviética e segue atual a necessidade da revolução socialista”

Ao final do debate, a turma ainda teve fôlego para um caldo verde acompanhado de uma cervejinha gelada, porque, afinal, era dia de comemoração.