De Norte a Sul, trabalhadores foram à luta no dia 23

Confira algumas das principais mobilizações que ocorreram no paísMINAS GERAIS (MG)
Houve antecipação das mobilizações em algumas categorias, como os metroviários, que cruzaram os braços nos dias 22 e 23, e os sem-terra ligados ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade, que ocuparam a sede do Incra na noite do dia 22. Na manhã do dia 23, trabalhadores da Santa Casa de Misericórdia, maior hospital privado da capital, paralisaram sua atividades. Trabalhadores em educação de diversos municípios também pararam. Em Contagem, trabalhadores em educação e servidores da saúde realizaram uma manifestação conjunta no centro comercial da cidade. No sul de Minas, houve bloqueios na rodovia BR 381 – Fernão Dias. Em Congonhas, os mineiros da Vale do Rio Doce e da CSN paralisaram suas atividades por duas horas. No final do dia, duas mil pessoas participaram do ato promovido pela Conlutas em Belo Horizonte.

SÃO PAULO (SP)
Já na parte da manhã, professores da USP decidiram em assembléia entrar em greve e se somar à luta dos estudantes que ocupam a reitoria da universidade. A mobilização se alastrou pelas universidades paulistas, como a Unicamp e a Unesp. Os bancários do Banco do Brasil também pararam. Dez agências paralisaram total ou parcialmente contra o plano de reestruturação do governo. Durante a tarde, uma passeata bloqueou a avenida Paulista com quase quatro mil pessoas, enquanto o ato da CUT reuniu 600. O protesto reuniu professores estaduais, servidores e estudantes da USP, que caminharam em direção à Assembléia Legislativa. Houve confronto com a polícia. Em São José dos Campos, metalúrgicos da GM fizeram uma passeata de dois quilômetros. Houve paralisações em várias fábricas como Bundy, LG.Philips, Gerdau, entre outras. Houve repressão policial na Swissbras, empresa das Chácaras Reunidas. Cerca de mil sem-teto da ocupação Pinheirinho ocuparam a rodovia Dutra. Em Santos, houve o bloqueio das rodovias Anchieta e Piaçaguera-Guarujá. Em Campinas os trabalhadores paralisaram as fábricas Bosch, Toyota e Honda. Também foi realizado um ato unificado com três mil pessoas.

RIO DE JANEIRO (RJ)
Uma passeata no centro da capital reuniu sete mil pessoas, com servidores federais do Ministério da Cultura, do Ibama, do Incra e do Banco Central. Participaram do ato, além da Conlutas, setores da CUT e da Corrente Sindical Classista. Os profissionais da educação também estavam em luta. A rede estadual de ensino parou por 48 horas. A rede municipal, que paralisou suas atividades por 24 horas, realizou um grande ato com cinco mil pessoas em frente à prefeitura, para exigir de César Maia (DEM, ex-PFL) o fim da aprovação automática nas escolas. Sem-terra bloquearam estradas no norte e no sul fluminense. A Baixada Fluminense compareceu ao grande ato após os comerciários fazerem o famoso “atrasão” em grandes lojas de Nova Iguaçu. Estudantes ocuparam a reitoria da UFRJ pela manhã.

PARÁ (PA)
O dia começou com a ocupação da usina hidrelétrica de Tucuruí (PA) por manifestantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e do MST. No meio da tarde, Lula mandou o exército desocupar o local.
Mais tarde, cinco mil pessoas participaram de uma passeata no centro de Belém. O protesto reuniu professores, MST, Conlutas e Intersindical. O destaque ficou para os trabalhadores da construção civil – cerca de 2.500 operários estiveram presentes. Durante o piquete nos canteiros de obra, os trabalhadores foram violentamente reprimidos pela PM, que utilizou balas de borracha e gás, deixando 14 feridos. Paralisaram também servidores públicos da UFPA, da UFRA, do Ibama, do Incra e da Funasa.

SERGIPE (SE)
O ato unificado convocado pela Conlutas, pela CUT e pelo MST em Sergipe reuniu cerca de 500 pessoas no final da manhã. A passeata percorreu ruas e avenidas de Aracaju e fez paradas simbólicas na Delegacia Regional do Trabalho, no INSS e na Assembléia Legislativa. Trabalhadores rurais ligados ao MST bloquearam duas rodovias. Após iniciativa do Sindipetro AL/SE, os petroleiros paralisaram duas das quatro principais unidades da Petrobras.

CEARÁ (CE)
Os funcionários do Ibama e do Incra paralisaram, enquanto o Movimento dos Conselhos Populares bloqueou uma avenida. Às 18 horas houve uma manifestação unificada no centro de Fortaleza. Operários da construção civil se destacaram na mobilização ao se dirigirem com cerca de 13 ônibus para um ato. Também foram bloqueadas duas rodovias pelo MST.

MARANHÃO (MA)
Duas mil pessoas foram às ruas em São Luís. A passeata unitária contou com a participação da Conlutas, da Conlute, do MST, da CUT, entre outras entidades. Estiveram presentes servidores estaduais, do Ibama, do Incra, do Iphan, policiais federais e servidores da UFMA. A PM tentou impedir com balas de borracha o bloqueio de uma ponte. Mesmo assim, a caminhada continuou até o palácio do governo estadual.

PIAUÍ (PI)
Houve paralisações no Incra, no Iphan, de professores da rede estadual, da universidade estadual (Uespi), de servidores municipais de Teresina, de bancários e trabalhadores da saúde. estadual.

RIO GRANDE DO NORTE (RN)
Houve paralisações de servidores federais (INSS, DRT, DNOCS, Ibama, Incra, Funasa), Polícia Federal, ferroviários, professores da rede estadual e municipal de Natal, agentes comunitários, trabalhadores da UERN do Hospital Universitário. Foi realizada uma manifestação com a participação de 800 pessoas.

PERNAMBUCO (PE)
O dia foi marcado pela greve dos condutores de metrô. Os professores da rede municipal e da rede estadual de ensino também paralisaram suas atividades. Trabalhadores rurais e urbanos bloquearam a BR-423. No sertão, próximo ao rio São Francisco, mais de mil famílias sem-terra bloquearam a ponte Presidente Dutra, que liga Petrolina a Juazeiro. Foram 12 bloqueios de estradas no total.

PARAÍBA (PB)
Foi realizado um ato unificado com a Conlutas, a Intersindical, a CUT de e movimentos sociais do campo e da cidade. Duas rodovias foram trancadas.

ALAGOAS (AL)
Cerca de 300 pessoas fecharam as duas vias da BR-104. Estudantes da UFAL ocuparam o restaurante universitário e serviram as refeições gratuitamente.

BAHIA (BA)
Aproximadamente três mil pessoas participaram da passeata no centro de Salvador. A manifestação teve como eixo central a luta contra as reformas neoliberais. Paralisaram professores estaduais e municipais de Salvador, da Universidade Estadual da Bahia, funcioná-rios da Universidade Federal da Bahia e Sinasefe. A CUT participou da atividade, mas, para desespero dos governis-tas, houve coros contra Lula e o governo como: “Ó Lula, que traição, essa reforma é reforma do patrão”.

BRASÍLIA (DF)
Seis mil trabalhadores do campo e da cidade, servidores públicos e juventude realizaram uma grande manifestação na capital federal contra as reformas neoliberais. Além da representação dos trabalhadores rurais pela Contag, dos estudantes pela Conlute, das centrais e organizações como Conlutas, Intersindical e CUT, falaram no ato várias entidades nacionais dos servidores federais. A Conlutas abriu a passeata com uma grande faixa onde se lia “Lula, tire as mãos da Previdência” e “Manutenção do direito de greve”.

PARANÁ (PR)
Em Curitiba ocorreu uma passeata com 300 pessoas. Em Maringá foi realizado um ato com o SISMMAR, bancários, Conlute, Conlutas, associações de bairro, Movimento por Moradia Popular, CA´s, Movimento Caminhando, partidos e organizações como o PSTU e o CAS.

SANTA CATARINA (SC)
Mais de cinco mil trabalhadores realizaram a maior manifestação dos últimos dez anos em Florianópolis. Os manifestantes também bloquearam por 40 minutos a ponte que liga o continente à ilha. No dia 22, rodoviários paralisaram a categoria. Todos os setores do funcionalismo federal que estão em luta estiveram na manifestação, bem como os trabalhadores da segurança pública em greve. Também participaram representações da CUT, da UNE, do MST e da CSC. A juventude também se destacou na passeata.

RIO GRANDE DO SUL (RS)
Pela manhã, os trabalhadores municipais realizaram um grande protesto em frente à prefeitura que reuniu quatro mil pessoas. Houve bloqueios de ruas próximas. Foi quando a Brigada Militar agiu com truculência e reprimiu os manifestan-tes. O protesto terminou com um ato em frente ao prédio do INSS. A CUT organizou um ato pró-governo que reuniu 400 pessoas.

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