“A mobilização do dia 23 pode indicar uma mudança da luta de classes”

Opinião Socialista – Qual é o significado da jornada de lutas na atual conjuntura?
Zé Maria – Foi muito importante pela abrangência e quantidade de categorias e movimentos envolvidos. Foi o maior protesto unificado realizado no Brasil nos últimos 10 ou 15 anos, que contestou claramente a política econômica do governo e as propostas de reforma da Previdência e trabalhista, além da Emenda 3.

Creio que mobilizamos algo em torno de 1,5 milhão de trabalhadores no dia 23. Começamos a viver uma fase em que se inicia a retomada das mobilizações de caráter geral da classe trabalhadora. A mobilização nacional pode indicar o começo de uma mudança da luta de classes no país.

Qual é a sua avaliação sobre a CUT nesse processo?
A CUT foi obrigada a convocar o dia 23 pra evitar o isolamento. A construção da unidade, impulsionada pela Conlutas e por outras organizações, que construíram o encontro do dia 25 de março, ganhou muita força. Isso encostou a CUT na parede, obrigando a central a se juntar ao processo.

No entanto, a CUT não só apóia como está atrelada ao governo, com cargos, benefícios financeiros e convênios com o Estado. Por isso, a central não pode encaminhar uma jornada de mobilizações contra a política econômica e as reformas do governo. No dia 23, a CUT tentou dar um caráter de dia de luta a favor do governo, por meio do apoio ao veto à Emenda 3. Mas a manobra foi derrotada.

Vamos seguir chamando a CUT para construir a unidade para lutar e, ao mesmo tempo, continuaremos denunciando essa vinculação da central ao governo, exigindo que ela rompa com o governo Lula. Queremos trazer para a luta vários segmentos da base da CUT.

Quais devem ser os próximos passos na luta contra as reformas?
Temos que acompanhar e apoiar as lutas concretas que estão em curso, como a ocupação da USP, a greve das universidades paulis-tas e a campanha salarial do funcionalismo federal, que devem ter toda nossa solidariedade. Existe um conjunto de mobilizações de categorias que devemos apoiar e também unificar as campanhas salariais do segundo semestre. Ao lado disso, é preciso divulgar o que houve no dia 23. Isso é importante até para se contrapor à manipulação realizada pela grande imprensa. É preciso divulgar para os trabalhadores esse início da retomada das lutas.

É necessário também continuar com as mobilizações de caráter mais geral. Há uma possibilidade de realizar um ato político com o MST, que irá realizar seu congresso em Brasília no mês de julho. Também há uma proposta em discussão para a realização de um ato nacional, em julho, no Rio de Janeiro, por ocasião dos Jogos Pan-americanos.

Por fim, a atividade que vai centralizar todos os nossos esforços no próximo período é a construção de uma marcha a Brasília contra as reformas do governo. Nossa proposta é realizar esse protesto em agosto. A Coordenação Nacional da Conlutas vai se reunir nos dias 5 e 6 de junho para definir as propostas de continuidade da luta.

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