Daqueles que comentam sobre Chico Mendes, poucos sabem e respeitam seu legado

Waldemir Soares

Muitos comentam sobre a trágica entrevista do ministro do Meio Ambiente ao Roda Viva. Definitivamente, Ricardo Salles, está no lugar errado e no governo certo. Seria estranha outra postura da caserna.

Daqueles que comentam sobre Chico Mendes, poucos sabem e respeitam seu legado, mesmo na esquerda. Aliás, como diria meu amigo Osmarino Amâncio, ele e Chico, na época, nem sabiam o que era direita ou esquerda. Conceitos esses usados por uma burguesia intelectual à beira mar.

Trabalhei por quatro anos com o que restou dos seringueiros. Digo isso porque a política ambiental do PT expulsou muitos deles da floresta. Ou por exorbitantes multas ambientais ao criminalizar práticas tradicionais de manejo da floresta; ou pelo avanço da “economia verde” e seus créditos ambientais que levaram aos seringais ONG’s e empresas nacionais e estrangeiras e seus interesses capitalistas.

Reintegrações de posse, despejos, multas e penas. Um passeio pelos Códigos Civil e Penal para defender um conceito desconhecido pelos moradores da floresta: propriedade.

Poucos resistem para manter a luta construída por Chico nos varadouros da floresta. Dercy, Osmarino, e, até dias atrás, Targino. Outros tantos formaram riqueza em gabinetes, pendurados em ONG’s, ou em palestras pelos lados da Califórnia.

Chico defendia a floresta em pé! Pois era da floresta que os seringueiros, ribeirinhos e indígenas sobreviviam com alimento e trabalho. Era uma rota de colisão com o processo de expansão e ocupação agrícola da Amazônia no regime militar. A pecuária foi a linha principal do governo Geisel e sua regularização de terras griladas.

Com a pecuária, veio o desmatamento. Com o desmatamento, a falta de renda, alimentos e desequilíbrio social e ambiental.

Chico se insurge pelos empates. Sua dedicação, coragem e liderança contra os fazendeiros o levaram à morte.

Chico entregou sua vida por direitos sociais e ambientais. Muitos ainda são assassinados pelos rincões do Brasil. O agro mata e desmata, senhor ministro Ricardo Salles.