Crise política na União Europeia e colonização dos países mais frágeis

Há poucos dias, Yorgos Papandreu e Silvio Berlusconi (premiês da Grécia e Itália, respectivamente) caíram em desgraça e foram substituídos por Lucas Papademos e Mario Monti.

O processo de “latino-americanização” que está em curso em alguns países da Europa começa a se expressar também no terreno da perda de soberania política. No caso grego, Papandreu foi substituído por Lucas Papademo, um tecnocrata que foi vice-presidente do Banco Central Europeu e ex-chefe do Banco da Grécia.

O novo premiê italiano, Mario Monti, é um economista notório entre as instituições imperialistas europeias e os banqueiros norte-americanos. Foi, por dez anos, Comissário de Mercado Interior da Comissão Europeia e assessor do poderoso banco de investimento Goldman Sachs. Seu “governo técnico e de experts” está formado por treze tecnocratas, todos representantes dos banqueiros. Entre eles se encontra Corrado Passera, novo ministro de Desenvolvimento Econômico, Infra-estrutura e Transportes e Telecomunicações, que é um agente direto do Banco Intesa Sanpaolo, entidade com participações em empresas como Telecom e Alitalia.

A “Troika”, com essas mudanças, demonstra que não quer dirigentes “frouxos” que titubeiem ou demorem na aplicação de suas receitas contra os povos europeus. Fica claro que eles mantêm os governos na medida de sua capacidade política para avançar na guerra social. Nessa lógica, se um fusível não funciona, ele é substituído sem hesitação.

Poucas saídas
Assistimos fatos que, há pouco tempo, poderiam parecer inimagináveis. Nestes países da Europa vemos processos de colonização não só econômicos, mas também políticos. Estamos diante de governos colocados diretamente de cima para abaixo, substituídos pelos escritórios da Troika para que apliquem seus planos. Foi por isso que Papandreu caiu diante da simples ameaça de convocar um referendo sobre a aplicação dos planos impostos pela Troika.

Diante da crise e da polarização social, o regime democrático-burguês tem poucas saídas: ou recorre às eleições que não decidem nada, ou aceitam serem presidentes indicados “a dedo”. Por exemplo, no Estado Espanhol, as eleições de 20 de novembro não foram convocadas para decidir a política do país, muito menos para tentar “legitimar” o futuro administrador dos planos de ataque. Qualquer que fosse o resultado eleitoral, os únicos (e antecipado) vencedores são os banqueiros. Agora, a tarefa do Partido Popular (PP – vencedor das eleições espanholas no dia 20) não será outra coisa que implementar o plano econômico dos banqueiros europeus.

Nestes países é necessário defender bandeiras democráticas em torno da soberania nacional, na contramão do eixo EUA-Alemanha-França-Troika, os que impulsionam a colonização dos países mais débeis da Europa. Como na América Latina, ou em outros países semicoloniais, está colocada a tarefa de lutar pela expulsão do FMI e dos bancos alemães e franceses de países como Grécia, Itália, Irlanda e outros que estão sendo subjugados.

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