Desde o dia 21 de dezembro, Mariana (MG) registrou, segundo dados da Prefeitura, 230 casos de contágio e 3 mortes por Covid-19. Isso porque ainda não vimos o resultado das festas do Natal e ainda vêm as festas da Virada de Ano.

Depois do período das eleições, já havia alerta de vários órgãos de saúde sobre o aumento significativo de casos e, portanto, seria necessário um plano emergencial para conter o avanço da doença. No entanto, o que vimos foi o avanço do “liberou geral” pelos governos federal, estadual e aqui em Mariana não foi diferente.

Os governantes culpam o cidadão, exigem responsabilidade, mas não apresentam um plano eficiente que garanta a quarentena e a manutenção de emprego e renda, para que seja possível que as pessoas cuidem da saúde, com consciência da gravidade da situação. Essa individualização da responsabilidade é uma fuga da responsabilidade de governos e grandes empresas. Colocam a massa trabalhadora para se arriscarem em seus trabalhos não essenciais e os políticos da ordem ignoram a prevenção, já que fizeram campanhas eleitorais absolutamente irresponsáveis em relação à saúde pública. Com o negacionismo de Bolsonaro e cia., o mau exemplo dos ditos “representantes políticos” e uma exploração mortal, não se deve esperar que essa mesma massa trabalhadora vá ter os cuidados necessários quando estão em seu momento de lazer. A responsabilidade é dos de cima! Enquanto as mortes, em sua maioria, são dos de baixo!

As medidas da Prefeitura de Mariana são evidentemente insuficientes para conter o avanço do Covid. Na verdade, mais uma vez, a Prefeitura prefere a manutenção das atividades não essenciais, a garantir medidas para que trabalhadores e pequenos comerciantes fiquem em casa. O resultado é: aglomerações das mais diversas, no comércio, no Jardim, em bares. A mineração que nunca parou e, não nos esqueçamos, foi a principal atividade que registrou casos no início da pandemia. Pelo contrário, a mineração vem transformando seus acionistas milionários, em sua maioria estrangeiros, em sujeitos mais ricos ainda, já que se aproveitam da alta do dólar, da primarização da economia e da menor oferta, enquanto ameaçam a saúde de seus funcionários e de suas famílias. A consequência é o aumento alarmante dos casos de contaminação e de morte por Covid na cidade.

De tantos casos registrados, os números expuseram nomes de pessoas conhecidas, entre elas o próprio prefeito Duarte (Cidadania), ao qual desejamos melhoras. Porém, não precisamos conhecer as pessoas que sofrem com a doença, precisamos sim, ter a ciência de que esses números se tratam de vidas e que, por isso, é preciso ter um plano sério para salvá-las e diminuir os casos de Covid.

Repetimos: é preciso um plano emergencial para combater o avanço da Covid na cidade. Agora, junto ao plano para garantir o isolamento social das pessoas que não trabalham em serviço essencial (com todas as garantias que já elencamos), é preciso também exigir um plano de vacinação tão logo a fase de testes seja concluída. Destacando que, a depender das atitudes genocidas do governo Bolsonaro, não é possível esperar dele um programa para manter a saúde e a vida da classe trabalhadora em segurança dessa pandemia. E a depender, também, da irresponsabilidade de Celso Cota que se disponibilizou para um cargo que não pode exercer, tornando ainda mais instável nossas perceptivas no combate a essa doença.

Assim, ao povo trabalhador marianense, alertamos que cuidem, na medida do que é possível, para que suas famílias não se contaminem com esse vírus, evitando aglomerações. Junto a isso, e o mais importante, chamamos a todas e todos que exijam da Prefeitura de Mariana um plano concreto que garanta que fiquemos em casa, com garantia de emprego e renda, ao mesmo tempo que estruture melhor o trabalho dos profissionais da saúde que enfrentam, heroicamente, essa pandemia, na linha de frente.

Sim, sabemos que, para realizar um plano emergencial que garanta um isolamento apropriado frente a essa segunda onda mortal, não cabe apenas à Prefeitura Municipal. Mas além de fazer todos os esforços que tem em mãos, principalmente conformando um Comitê Emergencial de Combate à Pandemia, que inclua, além de representantes de especialistas de saúde, também lideranças dos movimentos sociais, sindicais e representações de bairros, é preciso lutar! Chamar outras prefeituras e entidades aliadas para pressionar o governo federal e estadual para agilizar o processo de vacinação e garantir a extensão do auxílio emergencial, além de criar um verdadeiro apoio aos pequenos empresários, principalmente com pagamento de pequenas folhas salariais e crédito a juros zero, se de contrapartida mantiverem suas empresas fechadas e o emprego de seus funcionários. E, por fim, dizer à Vale e à Samarco que usem de seus bilhões de lucro e de minério estocado para se manterem com as atividades paralisadas temporariamente mantendo empregos, salários e benefícios de seus funcionários.

Com certeza, Dú terá o apoio de saúde que a maioria da população não tem condição de ter. A maior mentira é que a pandemia igualou as pessoas. Pelo contrário, mostrou que no capitalismo a morte é seletiva na maioria das vezes. Precisamos conquistar um Plano Emergencial por nossas famílias: as famílias trabalhadoras! Seja com a Prefeitura, caso ela aprenda a ter coragem, ou contra ela, se manter sua irresponsabilidade. É preciso nos organizar para sobreviver!