28.04.2020 Fila em frente à agência bancária para recebimento do auxílio emergencial em função da pandemia da covid-19 8/04/2020 Fotos: Adenir Britto/CMSJC

48 milhões de brasileiros, em meio à nova alta dos casos de Covid-19, começarão 2021 sem o auxílio emergencial. Neste dia 29 de dezembro é realizado o último pagamento do benefício a 3,2 milhões de brasileiros, encerrando o calendário iniciado em abril.

Essa política assassina do governo de Bolsonaro vai atingir os mais pobres, sobretudo, os trabalhadores informais, os mais vulneráveis à crise. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 68% dos trabalhadores que ficaram sem trabalho no segundo trimestre de 2020 (quase nove milhões) foram de postos informais. Até o fim de 2019, essa categoria representava 38 milhões de pessoas. Esses trabalhadores representavam 40,6% do total de pessoas ocupadas no Brasil.

Esses trabalhadores demitidos durante a pandemia, por serem informais, não tiverem direito ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ao seguro-desemprego, ao acerto pelo tempo trabalhado, ao pagamento de férias e 13º, ou a qualquer outro direito garantido se tivesse carteira de trabalho assinada.

O IBGE aponta que a informalidade e a pobreza atingem mais mulheres e homens pretos e pardos. 70% dos que estão abaixo da linha de pobreza, vivendo com menos de dois dólares ao dia, são negros ou pardos.

Antes da pandemia, Brasil tinha 51,7 milhões abaixo da linha da pobreza, informam os dados do IBGE. De acordo com os estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), esse número irá dobrar devido à pandemia. Com a política do fim do auxilio emergencial, a situação vai piorar. A ONU prevê que o Brasil deve terminar 2020 com 9,5% na condição de pobreza extrema. Essa taxa era de 5% em 2019. A extrema pobreza é considerada quando um indivíduo ganha menos de US$ 67 (R$ 353) por mês.

Por outro lado, os bilionários do mundo e do Brasil aumentaram suas fortunas na pandemia. De acordo com o banco suíço UBS, no caso brasileiro, o grupo dos bilionários detém uma fortuna de US$ 176,1 bilhões, um aumento de 99% em comparação ao volume de 2009 e acima dos US$ 127 bilhões registrados em 2019. Em 2019, existiam 45 bilionários no país. Neste ano, o número subiu para 50. Entre abril e julho deste ano, a fortuna dos bilionários brasileiros cresceu 39%.

Organizar as lutas para enfrentar o desemprego e a miséria

Após resistir a benefício de R$ 600, reduzir a R$ 300, Bolsonaro decreta o fim do auxílio emergencial. O desemprego segue batendo recordes e já atinge mais de 14 milhões de brasileiros. Segundo dados do IBGE, de maio a novembro houve um acréscimo no número de desempregados na ordem de 4 milhões. E o legado de 2020 será muito negativo, apontando para um triste cenário nas condições do mercado trabalho, particularmente no desemprego.

Como não poderia deixar de ser, os setores mais oprimidos de nossa classe são os mais atingidos. Entre as mulheres, as desempregadas são 16,8%; entre os negros, 19,1%. Na juventude (entre 18 e 24 anos) os números atingem 31,4%.

Negros e pardos são 64% dos desempregados e 66% dos subutilizados, e a informalidade atinge 47% destes. Essa parte da população também representa 75,2% do grupo dos 10% de população com os menores rendimentos.

No caso das travestis e transexuais, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), os números de julho-agosto de 2020 são ainda mais dramáticos. Apenas 4% da população de travestis e mulheres trans têm emprego formal; 6% têm emprego informal e subemprego; e 90% têm de recorrer à prostituição como fonte de renda.

Contra tudo isso é preciso organizar as lutas para derrotar os ataques de Bolsonaro, Mourão, Paulo Guedes e companhia.

Fora Bolsonaro e Morão!

Para levar essa luta adiante, é fundamental que entendamos que o primeiro passo para reverter a atual crise de desemprego é derrotar e colocar para fora Bolsonaro e Mourão, responsáveis pela crise econômica e pelo desemprego.

Tirar dinheiro dos super-ricos para garantir emprego, salário e renda

Nessa luta, vamos enfrentar os super-ricos, os bilionários, os bancos e as 100 maiores empresas privadas que lucram com o desemprego, o arrocho salarial, a fome, a privatização das estatais e a destruição do meio ambiente.

Manutenção do auxilio emergencial e proibição de demissões até o final da pandemia, garantindo salário e renda para todos!

Não pagar a dívida pública e taxar fortemente as grandes fortunas

Apesar da crise, os grandes bancos do país lucraram R$ 17,4 bilhões no terceiro bimestre. Já a mineradora Vale faturou mais de R$ 16 bilhões. O que se gastou só com amortização da dívida pública neste ano, ou seja, mandando nosso dinheiro para o bolso de banqueiros, foi mais de R$ 1 trilhão. Parar de pagar a dívida pública e taxar as grandes fortunas e o lucro das grandes empresas garantiria os recursos necessários para levar adiante o programa emergencial que propomos.

Por um governo socialista dos trabalhadores

No entanto, a classe trabalhadora só terá garantido de forma duradoura o mais básico de seus direitos quando conseguir acabar com o capitalismo e colocar em seu lugar um governo socialista dos trabalhadores, que governe baseado em conselhos populares.