Correios: ‘O sentimento da categoria é de greve’

Apesar das manobras das direções ligadas à CUT e à CTB, disposição da categoria é de parar no próximo dia 14Após sucessivas rodadas de negociações entre os trabalhadores dos Correios e a direção da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), permanece a intransigência da empresa. Apesar do aumento da inflação no último período, a proposta de reajuste dos Correios permanece em apenas 6,87%, o que sequer repõe as perdas, que chegam aos 24%, segundo os cálculos dos trabalhadores. Há dois anos os funcionários da estatal não recebem qualquer reajuste.

“O sentimento da categoria é de partir para a greve” , avalia Geraldo Rodrigues, o Geraldinho, dirigente da Frente Nacional dos Trabalhadores dos Correios. Os trabalhadores tem indicativo de greve a partir do dia 14 de setembro. “Isso, apesar da ação dos sindicatos ligados à CUT e à CTB, que agem no sentido de desmobilizar os trabalhadores” , critica Geraldinho. As direções dessas entidades estariam divulgando em suas bases supostas contrapropostas realizadas pela empresa, a fim de criar expectativas nos trabalhadores e afastar a possibilidade de greve. “Se vier contraproposta realmente, o que ainda não veio oficialmente, ela será rebaixada, para isso que temos que preparar a categoria”, diz Geraldinho.

O sindicato em São Paulo, por exemplo, divulgou que levaram à empresa uma proposta de aumento linear de R$ 200, sendo que a proposta unificada do Comando de Negociação é de aumento de R$ 400. O sindicato foi além e chegou a marcar a assembleia que definiria greve no próximo dia 14 em um local fechado, quando tradicionalmente ela ocorre na Praça da Sé. “Fizeram isso à revelia da base da categoria, que queria a assembleia na Sé”, explica Geraldinho. “Mas vai ser difícil segurar a greve” , garante o dirigente.

Contra a privatização dos Correios
Além do reajuste nos salários, os trabalhadores dos Correios se mobilizam contra a MP 532 aprovada pelo Congresso e que abre o capital da estatal, transformando-a em sociedade anônima. Sob a justificativa de “modernizar” a empresa, o projeto abre as portas para a privatização da estatal. Lamentavelmente, esse ataque contou com os votos dos parlamentares do PT e do PCdoB. Já no movimento, a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Correios), embora tenha aprovado a campanha contra a medida, não encaminhou essa batalha.

A FNTC (Frente Nacional dos Trabalhadores em Correios), com seis sindicatos filiados, realizou ampla campanha na base contra a privatização, com jornal e cartilha que explicam os ataques da MP. Agora, a luta é para que o veto de Dilma e a esse projeto seja uma das principais bandeiras da greve.

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