Contradições do imperialismo para enfrentar a crise

Com a globalização, o imperialismo acumulou contradições estruturais1. Internacionalização da produção x propriedade privada
A globalização aprofundou a internacionalização da produção. Hoje essa internacionalização se choca cada vez mais com a propriedade privada dos meios de produção.

A abertura das fronteiras econômicas levou as multinacionais a desfrutarem de uma liberdade nunca vista para a movimentação do capital. As montadoras de automóveis podem fabricar motores em um país, o câmbio em outro, e montar o carro num terceiro país, onde centraliza a produção e a venda de uma região.

O imperialismo derrubou as barreiras alfandegárias nos países dominados, para ocupar diretamente seus mercados. Impôs os tratados de livre comércio, arrasou empresas menores e aumentou a centralização do capital.

O choque dessa internacionalização com a propriedade privada se demonstrou ainda no auge do crescimento. As empresas multinacionais seguiram sendo propriedade privada de burgueses que têm nacionalidade e se apóiam em seus Estados nacionais para garantir seu domínio. E as burguesias com menor produtividade dos países imperialistas (como setores do campo e produtores de aço) são defendidas por seus Estados contra a concorrência de empresas (muitas vezes também multinacionais) instaladas em países semicoloniais. Essa é uma das contradições atuais que mantém emperradas as negociações do livre-comércio da rodada de Doha.

Quando a crise explode, se torna imperioso tomar medidas internacionais de controle. Mas cada país imperialista vai buscar defender seus próprios interesses. Até agora, a coordenação se limitou a salvar os grandes bancos. A crise vai se aprofundar quando medidas protecionistas forem tomadas pelos Estados para defesa de suas empresas industriais e comerciais. Algo já esboçado por Obama para proteger a indústria automobilística norte-americana.

2. A disputa entre Estados imperialistas
A passagem da hegemonia do imperialismo inglês para o norte-americano custou ao mundo duas guerras mundiais. Os EUA saíram da Segunda Guerra como senhores absolutos e moldaram os acordos de Bretton Woods, que legitimaram o dólar como moeda e reserva de valor internacional.

Hoje a hegemonia norte-americana está questionada, assim como o dólar. Os EUA continuaram nos últimos 30 anos bancando sua superioridade de forma cada vez mais artificial, deixando de ser o maior credor para se tornar o maior devedor de todo o mundo. Têm déficits comerciais e fiscais brutais, que se sustentam com uma injeção de quase três bilhões de dólares por dia do resto do mundo. Os EUA funcionam como uma gigantesca aspiradora da mais-valia mundial, numa relação cada vez mais parasitária apoiada na sua força militar e financeira.

A explosão da crise atual agrava essas contradições. A manutenção do dólar como moeda internacional, cada vez mais questionada, não é uma simples relação monetária, mas a expressão de uma dominação, da relação entre os Estados imperialistas.

A decadência dos EUA não está sendo acompanhada do surgimento de uma alternativa imperialista. Uma nova guerra interimperialista pelo controle do mundo neste momento não está colocada, pela enorme superioridade dos EUA. A perspectiva que se abre, portanto é de continuidade da crise, sem solução imediata.

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