Como o capitalismo espera escapar da crise

Estamos apenas no início de uma crise que será prolongada. Mas já se observam alguns movimentos do capital para sair dela.

Tradicionalmente a burguesia ataca os salários e direitos dos trabalhadores para novamente voltar a elevar a taxa de lucros. Pode-se imaginar a dimensão do ataque que virá pela quantidade de dinheiro destinada às grandes empresas pelos governos imperialistas.

A soma, ainda parcial, já chega a 8 trilhões de dólares. Isso significa cerca de 1.300 dólares para cada um dos seis bilhões de habitantes do planeta. Ou ainda, cada habitante vai ter que pagar R$ 3,3 mil para os banqueiros, através da redução de salários, da piora nos serviços de saúde e educação. Cada família de cinco pessoas vai pagar R$ 16,6 mil aos banqueiros, numa conta que está longe de terminar.

As grandes empresas vão querer que os trabalhadores aceitem reduzir seus salários em patamares semelhantes à de outros países, onde se ganha menos. Vão tentar que os operários norte-americanos das montadoras, que ganham até 32 dólares por hora, aceitem ganhar nove dólares, como os brasileiros. Vão querer que os brasileiros aceitem ganhar como os chineses, três dólares por hora, sem direito a aposentadoria.

As grandes cidades vão enfrentar desemprego em massa e a criminalidade vai explodir. Vamos assistir momentos de barbárie, como conseqüência social da crise econômica.

Junto a esse ataque brutal aos trabalhadores, já começa a existir também uma guerra entre os próprios setores da burguesia. Por exemplo, nem todos os bancos norte-americanos estão falidos. Alguns estão se fortalecendo. As grandes somas de dinheiro repassadas pelos governos estão servindo não só para salvar muitos bancos, mas para ajudar alguns deles a assumir o controle de outros. O mesmo ocorre com grandes empresas industriais e comerciais.

O JP Morgan Chase e o Bank of America, por exemplo, estão se fortalecendo enormemente nos EUA. Vamos ver a falência de grandes empresas, engolidas por outras.

Se depender somente da evolução do capitalismo, o capital financeiro, mesmo sendo o epicentro da crise, vai se centralizar ainda mais e poderá sair fortalecido da crise.

Depressão ou crise econômica
As perspectivas da crise só podem ser traçadas como hipóteses. Existem muitas variáveis em jogo, tanto econômicas como políticas.

Mas a tendência em termos econômicos aponta para duas possibilidades mais prováveis: a de caminhar para uma depressão, igual ou ainda pior que 1929, ou a uma recessão, que seria seguida por uma recuperação mais frágil e uma nova crise mais profunda.

Ou seja, esta última seria uma evolução semelhante ao prognóstico de Trotsky para a economia capitalista após a Primeira Guerra Mundial. Uma evolução que não deixa de ter recuperações e crises, mas a partir de uma lógica de decadência da economia mundial conduzindo a uma crise crônica.

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