Contra as ameaças imperialistas ao Irã

Nos últimos dias, os Estados Unidos, em conjunto com outras potências imperialistas, têm aumentado as ameaças contra o Irã. Reproduzimos abaixo a declaração da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional sobre essa questãoOs imperialismos norte-americano e europeu aumentaram suas declarações contra o Irã e as ameaças de que atacariam militarmente este país. O argumento para tal atitude é que o Irã está desenvolvendo tecnologia que permitiria futuramente fabricar bombas atômicas.

Escondendo-se atrás da ONU, o imperialismo exige o poder de controlar o desenvolvimento nuclear iraniano. Até o momento, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, tem rejeitado essa intromissão. O jogo imperialista é semelhante às famosas denúncias das “armas de destruição de massa”, farsa utilizada para justificar a invasão do Iraque.

Outro argumento usado por George W. Bush para justificar um possível ataque são as declarações do presidente iraniano contra Israel. No dia 20 de março, Bush disse em um discurso na cidade de Cleveland: “As ameaças do Irã têm como objetivo destruir nosso firme aliado, Israel. Isto é uma séria ameaça à paz mundial. Já disse e vou repetir: usaremos nosso poderio militar para proteger nosso firme aliado, Israel”.

Hipocrisia imperialista
A realidade é que até agora o Irã só desenvolveu tecnologia para enriquecer urânio que possibilite apenas gerar energia nuclear (similar ao que existe há décadas em países como Brasil e Argentina). Essa tecnologia, entretanto, é insuficiente para produzir uma bomba atômica.

Contudo, para nós é totalmente secundário se o Irã já possui este tipo de armamento ou se tem algum plano para fabricar bombas atômicas. A suposta intenção imperialista de evitar a “proliferação de armas nucleares” – usada como desculpa para atacar o Irã – é absolutamente hipócrita.

Vários países imperialistas, mais a Rússia e a China, possuem a imensa maioria do arsenal atômico mundial e não têm a menor intenção de se desfazer dele. Além disso, é importante lembrar que até hoje o único país que usou armas atômicas contra a população foram os EUA, em Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial.
Outra demonstração dessa hipocrisia é que, ao mesmo tempo em que ameaça o Irã, o imperialismo e a ONU fazem vistas grossas diante das numerosas bombas atômicas de Israel e Índia, esse último considerado agora como um firme aliado dos EUA. Esses países não assinaram o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e, conseqüentemente, pretendem ter o direito de usar essas armas contra um “país não nuclear”.

Afinal, contra quem Israel pode usar essas bombas se não contra os palestinos, os países árabes ou contra o próprio Irã? A verdadeira ameaça à “paz mundial” não vem do Irã, mas sim dos países imperialistas e de Israel!

O conflito também revela o verdadeiro rosto do imperialismo europeu. Bem longe da imagem “democrática” que nos querem vender, países como França e Alemanha, que a princípio não estiveram de acordo com a guerra ao Iraque, agora aprovam totalmente a ocupação militar deste país. Sobre o Irã, o presidente francês, Jacques Chirac, se antecipou ao próprio Bush e ameaçou o país com um possível ataque de armas nucleares. Depois de tudo isso, esses governos hipócritas ainda querem falar sobre paz!

As verdadeiras razões
As razões de fundo das ameaças imperialistas ao Irã são muito diferentes. O Irã é um dos poucos países relativamente independentes do imperialismo que restam no mundo. Resultado da revolução que, em 1979, derrubou o Xá Pahlevi, agente incondicional dos EUA.

Um dos resultados deste processo foi a expulsão das companhias petroleiras norte-americanas, a nacionalização do petróleo e a criação da empresa estatal que detém o monopólio do petróleo no país (NIOC). A revolução, entretanto, foi logo abortada e derrotada pela hierarquia clerical xiita (os aiatolás), que instalaram um reacionário e repressivo regime de ideologia religiosa.

Esse caráter burguês e ultra-reacionário se mostra claramente no fato de os aiatolás iranianos apoiarem, e na prática impulsionarem, a hierarquia xiita iraquiana e seus partidos políticos, as forças centrais que formam o governo de ocupação colonial no Iraque. Em outras palavras, colaboram no Iraque com o mesmo inimigo que ameaça atacá-los, os EUA!

Uma rápida e efetiva resposta às ameaças imperialistas seria chamar os xiitas iraquianos a retirarem todo apoio a esse regime colonial, pondo ainda mais crise na ocupação imperialista.

Por esse caráter burguês, atrasado e repressivo, os revolucionários devem combater o regime dos aiatolás e apoiar todas as lutas do povo iraniano para derrubá-lo e democratizar o país.

É um fato que o Irã manteve sua relativa independência e que o projeto de Bush, depois dos ataques de 11 de Setembro, é destruir esses regimes que, mesmo corruptos e repressivos, não obedecem cegamente Washington. No caso do Irã, existe uma velha conta a cobrar desde 1979.

No ano passado, depois de fracassada a tentativa de mudar as coisas pela via eleitoral (o candidato apoiado pelo imperialismo foi derrotado), as ameaças ao Irã aumentaram. O que está em jogo não é a luta entre a “democracia” e a repressão. Trata-se de um ataque dos países imperialistas a um país muito mais débil que defende sua independência.

Pelo pântano político e militar em que se meteu no Iraque, parece difícil que o imperialismo possa levar adiante uma invasão no Irã. Contudo, é possível que o imperialismo possa realizar ataques e bombardeios aéreos relâmpagos, inclusive, ajudado por Israel.

A posição da LIT – QI
Neste contexto, defendemos o direito de o Irã desenvolver sua tecnologia nuclear e, inclusive, fabricar armas nucleares para defender-se de um ataque imperialista ou de Israel.

Entretanto, não depositamos nenhuma confiança no regime dos aiatolás e não damos nenhum apoio político a eles. Os revolucionários apóiam claramente o Irã e seu povo neste enfrentamento contra os EUA, os países imperialistas europeus e Israel.

São Paulo, 30 de abril de 2006

Post author Secretariado Internacional da LIT-QI
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