Conselho Universitário da UFRJ repudia repressão a estudantes

O Conselho Universitário da UFRJ aprovou uma moção de lamento e repúdio aos atos de violência cometidos contra estudantes, em frente ao prédio da representação do MEC no Rio de Janeiro, no Centro, no dia 25/8.

Por volta das 10h, cerca de 300 alunos saíram em passeata do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCS) para protestar contra a reforma universitária. Ao chegar na delegacia do MEC, na rua Araújo Porto Alegre, foram atacados por policiais militares com cacetadas e spray de pimenta, quando tentavam negociar a entrada no local. Houve tumulto e uma porta de vidro do prédio foi parcialmente quebrada.

Estudante é detido

Um estudante foi detido e acusado pela Polícia Militar de danos ao patrimônio público. O aluno se recusou a acompanhar os policiais até a 5ª Delegacia de Polícia, na Lapa, alegando que o ocorrido era um caso de competência da Polícia Federal. A assessoria jurídica da Adufrj-SSind prestou assistência ao estudante e o acompanhou até a sede da Polícia Federal, onde foi registrada a manifestação, mas não houve nenhuma queixa ao estudante. Segundo a assessoria jurídica da seção sindical, os políciais reconheceram que não viram nenhuma atitude que comprometesse o aluno, que foi liberado por volta das 17h.

Nota do Consuni:

“O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro, reunido em sessão ordinária de 26 de agosto de 2004, vem a público lamentar os acontecimentos ocorridos no dia de ontem, no pátio do prédio do MEC, no centro da cidade, quando uma manifestação de estudantes, que protestavam contra a reforma universitária, foi violentamente reprimida pela Polícia Militar, inclusive com o uso de gás pimenta diretamente sobre os manifestantes. O que mais nos consterna é não ter havido, por parte da representação do Ministério da Educação, qualquer atitude para impedir a violência policial, que repudiamos e que resultou em feridos e presos.
Tais acontecimentos, que nos trazem de volta aos piores momentos do regime autoritário, são incompatíveis com o Brasil que se deseja construir.

O Conselho Universitário reafirma sua posição de absoluta confiança no diálogo, amplo e democrático, como única forma de se chegar a uma reforma do sistema de ensino superior adequada às exigências da sociedade brasileira. Para que esse clima seja restabelecido, torna-se necessária a rigorosa apuração das responsabilidades pela violência cometida contra os estudantes. É o que o Conselho Universitário da UFRJ exige.“

FONTE: Comunicação Adufrj-SSind