Conlutas disputa principal sindicato metalúrgico de Minas

Foi encerrado no último dia 31 o prazo para a inscrição de chapas para a eleição do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem, o maior sindicato metalúrgico do estado de Minas Gerais. As eleições ocorrem nos dias 15, 16 e 17 de abril.

Foram inscritas duas chapas. A chapa 1 é composta pela Articulação/CUT, corrente do atual ministro da Previdência Luiz Marinho, pela CSD (Corrente Socialista Democrática) e a CSC (Corrente Sindical Classista), ligado à CTB. Já a chapa 2 é a Oposição Metalúrgica, ligada à Conlutas.

A categoria é composta por 55 mil trabalhadores, sendo que desses, aproximadamente 6.600 sócios têm direito a voto, 5.200 da ativa e 1.400 aposentados. A campanha já começou e os debates nas portarias das fábricas tendem a esquentar.

De um lado estão os que fazem parceria com os patrões, defendem o banco de horas, entregam direitos e atrelam a entidade ao governo ao Lula. Do outro estão os que se colocam contra a parceria com os patrões, e que defendem um sindicato de luta e oposição ao governo.

“uma chapa com experiência e sangue novo”

Opinião Socialista – Qual a importância da eleição para os metalúrgicos de BH e Contagem?

Giba – Em primeiro lugar é resgatar o sindicato para a categoria. O nosso sindicato sempre resistiu às políticas de conciliação de classes, como o pacto social, a parceria com as empresas etc. Hoje a nossa entidade está nas mãos da CUT, central chapa-branca do governo Lula. Eles trouxeram para categoria o famigerado banco de horas, além de entregar direitos.

Quais direitos foram entregues?

Só para dar um exemplo, na convenção coletiva da categoria tem uma cláusula que dá o direito para os patrões contratar empregados com salários menores que o piso da categoria. Na empresa Stola, por exemplo, os trabalhadores ganham R$331, menos que o salário mínimo.

Como está a oposição na base?

A nossa expectativa é muito boa, pois a nossa chapa está sendo bem aceita na base e nos aposentados. Sentimos isso quando estamos nas portarias das empresas e os trabalhadores fazem sinal de positivo, dizendo “é isso aí é hora de mudar”.

Com foi composta a chapa?

Nossa chapa traz companheiros com muita experiência, vindos da década de 80, mas também companheiros novos, a geração que já fez a experiência com o governo. Portanto, é uma chapa que tem experiência e sangue novo.

Qual o debate que será travado nas portarias?

Os debates são: rebaixamento salarial, pois os nossos salários são um dos mais baixos do país se comparados com outros estados. Vamos travar uma luta duríssima contra o banco de horas que está sendo implementado na categoria. Outro tema em debate será a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) que o sindicato fala muito, mas faz muito pouco, já que das quase 700 empresas, só 10% tem PLR. Vamos também lutar contra as reformas do governo Lula que retiram direitos, como a reforma da Previdência.

Post author Emmanuel Oliveira, de Contagem (MG)
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