Congresso é um marco na reorganização dos trabalhadores

Faltam menos de três meses para o 1º Congresso da Conlutas. Em todo o país, as assembléias para eleger delegados começam a ser marcadas e as teses começam a ser discutidas. O Opinião Socialista dedica estas quatro páginas para apresentar os
principais temas de debate e as posições defendidas pela tese “Avançar na Consolidação da Conlutas: Classista, Democrática, pela Base e Socialista”, defendida por inúmeros sindicatos e entidades e também pelos militantes do PSTU

De 3 e 6 de julho, na cidade mineira de Betim, milhares de ativistas do movimento sindical, popular e estudantil se reunirão para definir os rumos da Conlutas, que se firma a cada dia como alternativa de luta diante da falência da CUT e demais centrais, cooptadas pelo governo Lula.

Num contexto em que a crise econômica dos EUA ameaça chegar rapidamente ao Brasil, fazendo com que o governo Lula aumente ainda mais os ataques aos trabalhadores, torna-se ainda mais importante o fortalecimento de uma alternativa de luta.
Ao mesmo tempo, na América Latina e em várias partes do mundo, os trabalhadores protagonizam importantes lutas, que se enfrentam com o imperialismo e mostram que é possível resistir. Mais do que isso, mostram que é possível impor uma agenda dos trabalhadores.

Nesse panorama, de ataques e ameaças de um lado e de ascenso e retomada das lutas de outro, é que ocorre o Congresso da Conlutas. Nos meses de abril e maio, as várias teses serão amplamente discutidas nas bases das categorias e movimentos, que elegerão seus representantes, os delegados ao congresso. A expectativa é que o número de delegados supere bastante o do Conat, em 2006, quando quase 3 mil ativistas aprovaram a fundação da Conlutas.

Em Betim, os delegados definirão os próximos rumos da Conlutas, além de avançar nas definições sobre as estratégias da coordenação para a luta dos trabalhadores e para sua própria construção, seu caráter político e perfil. Será discutida também aperfeiçoamentos na forma de funcionamento da entidade, como irá funcionar a sua direção, como ela irá se estruturar nas bases, nos estados e nos locais de trabalho, de estudo e de moradia. Estes são alguns dos desafios colocados pelo crescimento nacional que a coordenação conquistou.

Uma nova alternativa
O governo Lula foi um verdadeiro divisor de águas para o movimento de massas no país. A CUT, já em avançado processo de burocratização, passou definitivamente para o lado do governo. Ocupando cada vez mais cargos e gerindo verbas públicas, através do Fundo de Amparo ao Trabalhador ou de ONG’s, a central passou a defender os ataques do governo.

A nomeação do então presidente da CUT, Luiz Marinho, no ministério do Trabalho selou a cooptação. Exemplos não faltaram: a central apoiou a reforma da Previdência de Lula em 2003 e sustentou o governo nos inúmeros escândalos que abalaram o Planalto. Essas e outras traições desencadearam um processo de reorganização do movimento de massas. Amplos setores romperam com o governo e a CUT.
A Conlutas foi impulsionada com o objetivo de aglutinar esses setores e evitar a dispersão. O crescimento da entidade, nacionalmente e em diversas categorias dos trabalhadores e de importantes movimentos sociais e populares, mostrou o espaço que existe para a uma alternativa de luta e independente. Nesse marco, a Conlutas é hoje a única organização central que é contra e não recebe o imposto sindical.

Reorganização não pára
Avança na base a ruptura com a CUT. Os ativistas sentem cada vez mais a necessidade de se construir uma alternativa de luta, classista, democrática, de base e socialista. Importantes entidades sindicais se desfiliam enquanto nas categorias cresce o desgaste das direções ligadas à CUT.

A Conlutas foi a primeira alternativa a surgir. Mas, refletindo esse enfraquecimento da CUT, outros setores passaram a buscar uma forma de organização independente do governo, como o caso da Intersindical. E outras iniciativas que apareceram procuram disputar com a CUT os privilégios e cargos do governo, como é o caso da recém-fundada CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), impulsionada pelo PCdoB.

O momento agora é de preparar o congresso na base e fortalecer a Conlutas como alternativa de luta, chamando também a unificação com a Intersindical e demais setores que se colocam contra os ataques do governo.
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