Companheiro Maluf?

Ana Luiza, pré-candidata do PSTU à prefeitura
Sérgio Koei

A aliança anunciada pelo PT com Paulo Maluf para ganhar a Prefeitura de São Paulo é um verdadeiro escândalo. As fotos de Maluf e Lula, com Fernando Haddad, causaram indignação e espanto até nos maiores defensores dos governos do PT.

A ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (PSB), vice de Haddad, foi obrigada a reconhecer que a “situação é muito constrangedora” e, no dia seguinte, anunciou que desistiria de sair na chapa com o petista. O que causou ainda mais constrangimento a muito petista enrubescido. Seu partido, porém, vai seguir na aliança Haddad-Maluf.

Paulo Maluf representa o que há de mais odioso e atrasado na direita brasileira. Foi o prefeito “biônico” da ditadura e colaborou na perseguição aos ativistas políticas que lutaram contra o regime militar. Depois se tornou o governador do estado, pela ARENA, partido da ditadura. Neste período, reprimiu as primeiras manifestações pela redemocratização do país, além de criar a ROTA para assassinar o povo pobre nas periferias.

Símbolo da “vergonha nacional”, como dizia Lula no passado, Maluf esteve envolvido em incontáveis escândalos e casos de desvios de verbas. Chegou a ser preso em 2005, mas só ganhou liberdade graças as suas relações com os ricos e poderosos. Seu nome está na lista vermelha da Interpol. Se a justiça brasileira fosse séria, Maluf estaria na cadeia.

Mas a aliança do PT com Maluf só pode ser explicada pela completa descaracterização desse partido. O PT símbolo da luta operária contra a ditadura acabou faz tempo, já é parte do passado. A adaptação à democracia dos ricos trouxe também a utilização dos mesmos métodos de corrupção e alianças dos partidos burgueses e o vale tudo se transformou em palavra de ordem. Isso explica toda a corrupção escancarada pelo caso do bicheiro Cachoeira, a aliança com Collor, Renan Calheiros, Sarney…

Assim, o “novo” – supostamente representado pela candidatura Haddad – já é o velho. Até agora, o maior feito do ex-ministro da educação foi conseguir uma das maiores greves de professores das universidades federais que travam uma luta heróica contra a precarização do ensino superior.

Haddad e Serra vão apresentar o mesmo programa nestas eleições, além de soluções milagrosas para resolver todos os problemas sociais. Nós vamos mostrar o outro lado da cidade, o lado dos trabalhadores pobres e da periferia. Vamos mostrar como é possível enfrentar gravíssimos problemas sociais como educação, saúde e transporte desde que enfrentemos o domínio das grandes empresas. Vamos defender o programa socialista, aplicado aos problemas concretos da vida das pessoas. A cidade não deve ser dos ricos, São Paulo é para os trabalhadores.