Como funcionam os ciclos e as crises capitalistas?

A crise atual é parte do funcionamento cíclico do capitalismo. Ele alterna períodos de expansão e retração. Depois dessa crise, existirá expansão e uma nova crise. Se depender do capitalismo, viveremos sempre assim. Não existe capitalismo sem crises.

Por outro lado, essa não será tampouco a crise final, como afirmam certas correntes catastrofistas, ainda que ocorra uma depressão semelhante ou pior que a de 1929. A derrubada do capitalismo dependerá da evolução da luta de classes. Se o proletariado não conseguir resolver a seu favor as crises políticas que surgem a partir das crises econômicas, o capitalismo retomará um novo período de expansão.

Como surgem as crises?
O capitalista tem seu lucro após o ciclo de produção e venda das mercadorias. Os trabalhadores usam as máquinas para transformar matérias-primas em novos produtos que são vendidos: as mercadorias. Assim, os trabalhadores criam valores.

Marx divide o capital em constante e variável. Capital constante é o investimento em máquinas e matérias-primas. O capital variável é o gasto com os salários. A taxa de mais-valia é a relação entre o que foi investido nos salários e a totalidade do valor produzido.

O lucro do capitalista vem da parte do valor produzido pelos trabalhadores que não lhes foi pago por meio dos salários. É o trabalho não-pago (mais-valia), embolsado pela burguesia. Já a taxa de lucros é a relação entre a mais-valia e o capital total envolvido na produção. Esse é o objetivo essencial do capitalista. O retorno aumentado do investimento realizado.

Como tem de enfrentar a concorrência, o capitalista aumenta o investimento em máquinas e matérias-primas para produzir mais e baratear seus produtos. Isso tende a elevar os lucros da empresa num primeiro momento, mas amplia, também, a proporção do capital constante (máquinas e matérias-primas) sobre o capital variável (salários). Com isso, a taxa de lucro (mais valia/capital investido) tende a cair.

Essa é a explicação dada por Marx para a queda tendencial da taxa de lucro no capitalismo. A redução da taxa de lucro acontece porque o lucro é calculado considerando o capital total investido. Mas é apenas o capital variável que produz mais-valia e é justamente este que tende a diminuir.

Como deter a queda da taxa de lucro?
O lucro é proporcional à quantidade de mais-valia produzida. O capitalista substitui trabalhadores por máquinas para aumentar a produtividade do trabalho e enfrentar a concorrência. Quanto mais aumenta a produtividade, porém, maior é a tendência de queda da taxa de lucro. Só os trabalhadores é que produzem mais-valia. As máquinas apenas tornam o trabalho humano mais rápido e eficaz.

A forma usada pelos capitalistas para reverter essa tendência à queda da taxa de lucros é, principalmente, o aumento da mais-valia através da exploração direta do trabalhador, com a diminuição dos salários e o aumento da jornada de trabalho.

Entra em cena, então, a luta de classes. A burguesia, muitas vezes, consegue impor derrotas sobre os trabalhadores, rebaixar salários, aumentar a carga horária. Além disso, o imperialismo saqueia os países dependentes, apropriando-se de uma parcela da mais-valia extraída dos trabalhadores destes países, através do controle de seus recursos naturais, cobrança das dívidas etc. Essa é sempre a via buscada por eles para a saída das crises.

Mas mesmo grandes aumentos da taxa de mais-valia são rapidamente consumidos e se tornam insuficientes para sustentar a taxa de lucros. Quando ela cai a ponto de afetar a massa total dos lucros, os capitalistas param de investir. Existe, então, uma crise de superprodução.

As crises queimam capital com o fechamento de empresas e forçam a redução dos salários, até que se possibilitem novos investimentos com custos baixos, uma nova elevação da taxa de lucros e um novo período de investimento e crescimento.

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