Comitê pede a libertação do preso político Júlio Ferraz

No último sábado, dia 14 de abril, foi formado o Comitê pelo fim da criminalização dos movimentos sociais e pela libertação de Júlio Ferraz, um dos dirigentes da ocupação Nova Vitória, em Manaus. Júlio, que também é presidente da associação da ocupação e filiado ao PSTU, foi preso em fevereiro de 2007, sob o argumento de que não teria cumprido sua pena integral, referente a uma sentença anterior, de 2004, quando foi condenado a 12 meses de pena alternativa, acusado de “invasão de terras públicas”.

Porém, em 2004, mesmo tendo sido uma prisão injusta – uma vez que estava lutando por moradia junto com mais de 6 mil famílias – o companheiro cumpriu a totalidade de sua pena. A juíza federal substituta, que lhe deu uma nova condenação, não entende dessa forma. Agora o condenou, novamente, a mais dois anos de prisão aberta albergada. Pela nova sentença, Júlio não pode, em hipótese alguma, participar de qualquer atividade como reuniões, manifestações ou outras, sob pena de voltar ao cárcere privado, acusado de querer subverter a ordem pública.

Em função disso, iniciou-se um processo de mobilização para lutar contra a criminalização dos movimentos sociais e pela libertação do companheiro. Essa luta está aglutinando diferentes entidades e partidos, dentre as quais, estão a Associação do Nova Vitória, o Comitê de Direitos Humanos da Arquidiocese, o Sindisprev-AM, o PSTU e o PCB. A tendência é que outras entidades e organizações sociais se incorporem a campanha.

É importante que essa luta seja divulgada amplamente, pois em outros lugares, os sem-teto vêm sofrendo os mesmos tipos de perseguição e violência por parte do Estado.