Começam as privatizações do segundo mandato de Lula

Durante a campanha eleitoral, Lula atacou Geraldo Alckmin e o PSDB pelas privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso. A esquerda petista e as direções dos movimentos que apóiam o governo (CUT, UNE e MST) utilizaram esse “giro à esquerda” para mostrar como o segundo mandato de Lula poderia ser “disputado”. Em 2007, seria possível ter um governo mais compromissado com os anseios populares.

Bastaram os primeiros movimentos do presidente de preparação do próximo governo para acabar com as ilusões. Durante as negociações para montar seu novo ministério, Lula já deixou claro para a direção do PT que o partido terá uma participação menor no segundo mandato, para dar mais espaço ao PMDB e a outros aliados.

Cai a máscara
Mesmo a farsa da campanha contra as privatizações desmoronou. As estradas federais serão vendidas em um negócio que vai movimentar cerca de R$ 20 bilhões. Seguindo o exemplo de FHC (que fez a concessão da rodovia Dutra, em 1995), Lula vai privatizar a Régis Bittencourt (São Paulo – Curitiba), a Fernão Dias (São Paulo – Belo Horizonte) e outras rodovias, em um total de 2.601 quilômetros.

O edital deve ser publicado em dezembro deste ano, e o leilão deve ocorrer em março. São esperadas no evento grandes empresas brasileiras (incluindo a BRVias, dona da Gol), além de grupos espanhóis, americanos, chilenos, mexicanos, italianos, argentinos e portugueses.

Trata-se da mesma lógica que tem guiado as privatizações. O governo parou de investir nas estradas com o objetivo que houvesse um clamor para “se fazer alguma coisa”. E depois privatiza, “para que as empresas possam investir” nas estradas.

Algo semelhante ocorreu com as telefônicas, siderúrgicas e empresas de energia elétrica estatais. O governo do PSDB, conscientemente, deixou de investir por anos nessas empresas, além de reduzir artificialmente os preços de seus produtos. Jânio de Freitas, jornalista da Folha de S. Paulo, escreveu sobre o tema: “É claro que a expansão da telefonia é imensa: as tarifas foram aumentadas entre 100% e 200% em poucos meses depois da privatização, além dos financiamentos privilegiados do BNDES. O dinheiro para investimento ficou fácil e barato. O quilo do aço da Companhia Siderúrgica Nacional, ao tempo de Maílson da Nóbrega controlando a economia, custava o mesmo que um molho de salsa ou cheiro verde”.

Em vez de investimentos, as empresas que compram as estatais querem lucros rápidos. Conseguem isso com todas as facilidades. Primeiro obtêm empréstimos do próprio governo que, milagrosamente, depois da privatização, pode investir nas estradas.
Depois essas empresas devem impor pedágios caríssimos. Um estudo feito pela Consultoria Tectran demonstrou que o pedágio na Nova Dutra aumentou 38% acima da inflação em 11 anos de privatização. No mesmo período, as estradas privatizadas em São Paulo aumentaram 214% acima da inflação.

Lula repete o mesmo figurino de FHC, demonstrando que só usou o tema das privatizações como demagogia eleitoral. O governo petista vai privatizar as estradas e trair as promessas de campanha.
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