Começa a greve petroleira

Começou na Bahia. A assembleia votou contra o indicativo da FUP de suspender a greve até o Conselho Deliberativo do dia 22, e iniciou a greve dia 16. Com eles, pararam petroleiros de Sergipe, São José dos Campos e Litoral Paulista.

Em virtude da insegurança provocada pela FUP, nem todas as bases pararam. Afinal, não gostariam de ir a um movimento sem unidade nacional, pois sabem da violência com que o governo Dilma lidou com as greves, como as de Correios e bancários.

Mas, o movimento foi nacional. No Litoral Paulista pararam a refinaria, os terminais Transpetro (Alemoa, Pilões, Tebar) e a Unidade de Transporte de Gás de Caraguatatuba. Em Sergipe, a greve atingiu o Atalaia, Sede da Rua Acre, FAFEN e Carmópolis (Jordão, Siriri, Riachuelo e Base). No Rio de Janeiro ,o Terminal da Ilha parou. O da Baía de Guanabara parou por duas horas e houve agitação nos prédios centrais. Em Alagoas houve atrasos de duas horas na Estações do Pilar e Furado e, em Manaus, atrasos na sede administrativa.

A greve continua e já se anuncia maior, pois o sindicato do Rio de Janeiro decidiu aumentar as paralisações nos prédios administrativos, com atividades surpresas. No Norte Fluminense, a preparação da greve despertou a repressão da empresa (veja abaixo).

Junte-se a isso a greve dos cinco mil operários das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); a dos petroleiros terceirizados da Cemon, em Carmopólis (SE), que passa de 30 dias; e dos operários de Carauari (AM) e veremos que o setor parece com uma panela de pressão pronta para explodir.

Ganho real zero
As mobilizações explodiram porque a proposta da Petrobras não traz nenhum avanço. A empresa apresentou uma proposta de acordo coletivo sem avanço nas cláusulas sociais e uma proposta econômica rebaixada e discriminatória, que ignora a reivindicação de aumento real de 10% no salário básico.

Além de irrisória, a proposta é uma grande enganação e nem mesmo sob a lógica de remuneração variável pode ser aceita. Em relação ao abono, repete os mesmos valores do acordo de 2010.

A Petrobras oferece ganho real zero no salário básico. Para piorar, ainda afirma que o reajuste proposto na RMNR (Remuneração Mínima por Nível e Regime) é “um dos maiores índices conquistados pelas categorias de trabalhadores do país neste ano”.
Outras categorias já mostraram que apenas com luta é possível vitórias. Os trabalhadores da GM de São José dos Campos tiveram 10,8% de reajuste, com aumento real de 3,2% acima da inflação; os dos Correios tiveram 9% de aumento real, acima da inflação; bancários tiveram um reajuste de 12% no piso, com reajuste real de 5% no piso. Esses exemplos mostram que apenas com a greve nacional e unitária é possível avançar.

A FUP sumiu
A direção da FUP decidiu aplicar a ‘tática Gasparzinho’. Primeiro orientou as assembleias a rejeitar a proposta da empresa, e esperar o Conselho Deliberativo, no dia 22, sem nem explicar a razão de suspender a greve votada em toda a base para o dia 16.

A democracia não é o forte da FUP: não votou a pauta da Campanha Salarial na base e nem consultou os trabalhadores sobre os rumos do movimento. A novidade é que desta vez as direções de vários sindicatos ligados a FUP e à CUT sequer aparecerem na porta da empresa no dia 16. Não queriam ouvir os protestos dos trabalhadores contra seu governismo exacerbado.

Repressão
Nem na ditadura a repressão foi tão longe. Os petroleiros do Norte Fluminense ainda discutiam a possibilidade de iniciar a greve na segunda-feira, 21, quando a Petrobras “ocupou” o terminal. No domingo, 20, às 14h, uma “equipe de pelegos” (apresentada como “Grupo de Contingência”) ocupou o terminal, escoltada por seguranças armados. O grupo que estava trabalhando foi retirado à força e o grupo que o renderia foi impedido de entrar. Ao todo, na Bacia de Campos, a empresa embarcou mais de 500 supervisores, gerentes e outros “fura greves” que não estavam na escala das plataformas.

A operação é apoiada em um interdito proibitório contra a ameaça de greve. Ou seja, uma decisão da Justiça que impede a ação grevista, mesmo ANTES dela ser decretada. E, inclusive, com multa de R$ 100 mil por dia.

A empresa demonstra que, apesar dos comerciais de TV, usa métodos da Ditadura Militar: interditos proibitórios na Bahia, Sergipe e Alagoas; repressão policial em Salvador; aumento de “batidas de segurança” na Replan; cárcere privado em unidades da Petrobras, Transpetro e Petrobras Biocombustível.

Exigimos o fim dos interditos proibitórios, bem como a saída dos pelegos e dos seguranças. Os petroleiros e o movimento sindical e popular não podem aceitar essa agressão.
Post author américo gomes, do ILAESE (Instituto Latino-Americano de Estudos Sócio-econômicos)
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