Com raça, classe e sem homofobia

País afora, o PSTU apresentou candidatos e candidatas que são porta-vozes daqueles que, além de lutar contra a exploração capitalista, enfrentam-se cotidianamente com a opressão racial ou sexualLutas que, no nosso entender, só podem ser vitoriosas se realizadas em estreita aliança com o conjunto da classe trabalhadora, da juventude e dos todos os demais setores oprimidos e explorados. Algo que não pode ser levado a cabo nem pelos partidos tradicionais da burguesia nem pelo PT ou o PCdoB que, em função de seus projetos políticos e de suas alianças, há muito abandonaram a luta conseqüente em defesa das bandeiras desses setores. Nesta edição, apresentamos algumas candidaturas identificadas com o combate ao racismo e à homofobia.

Combater o racismo na luta contra o capitalismo. Solano Trindade: uma história de lutaDentre os vários candidatos negros que concorrem a uma vaga na câmara municipal, Liberto Solano Trindade, de São Paulo, destaca-se por sua história e trajetória de lutas. Filho do poeta, escritor e militante negro Solano Trindade – um dos fundadores do Teatro Experimental do Negro –, Liberto Solano, que também é funcionário da Sabesp, tem uma vida que praticamente se confunde com a cultura negra desde 1962, tendo atuado em várias escolas de samba e, hoje, no Afoxé Filhos da Coroa de Dadá.

Em sua campanha, além de denunciar as conseqüências do racismo, na maior cidade do país – onde a média salarial das mulheres negras corresponde a um terço do que é pago para homens brancos – Solano tem discutido a necessidade de se lutar pela democratização do acesso e o incentivo às manifestações da cultura negra, particularmente em espaços como as escolas de samba, que sofrem um processo de mercantilização e apropriação cultural, por parte das elites.

Trabalhador da Compania de Saneamento Básico, a Sabesp, Solano também tem colocado sua candidatura a serviço da luta contra a municipalização (ou seja, privatização) planejada pela candidata petista, Marta Suplicy.

A candidatura de Solano é apenas uma expressão de uma luta que consideramos fundamental. Como já foi dito por Malcolm X “não há capitalismo sem racismo”. Ou seja, o racismo é utilizado como forma de superexplorar enormes setores da população. É isso que faz com negros e negras sejam a maioria dos desempregados e dos trabalhadores “informais”, dos que não têm acesso à educação, à moradia ou a tratamentos médicos dignos e daqueles que sofrem a violência policial.

Uma situação que nada mudou com o governo Lula. Por isso, por exemplo, no Recife, o ferroviário Walter Oliveira, candidato a vereador, foi ao ar, em seu programa eleitoral, para denunciar que “João Paulo e o governo Lula: páginas em branco na luta contra o racismo”.

Como lembra Walter, “o que estamos dizendo é que, ao aliar-se àqueles que sempre lucraram com a opressão racial e ao implementar planos que atacam ainda mais a vida do dos trabalhadores e, particularmente, daqueles que são historicamente marginalizados, Lula, João Paulo e seus aliados, nada mais fazem do que perpetuar a combinação da exploração capitalista com a opressão racial”.

É para denunciar tudo isto e apresentar uma alternativa socialista de combate ao racismo, que militantes do PSTU estão apresentando suas candidaturas país afora. Em São Gonçalo (RJ), temos Dayse Oliveira, que foi candidata à vice-presidência em 2002, como nossa candidata a prefeita. Em Salvador, Luis Carlos França é o único candidato a prefeito negro na “capital negra do país”. Em São Luís (MA) Nicinha Durans (vice-prefeita) está articulando sua candidatura com o movimento Hip Hop e as comunidades mais carentes. Papel que também tem sido desempenhado em Poá (SP) por José Reis Nunes (prefeito) e Luis Fernando Oliveira (vice-prefeito), o Risada. São trabalhadores e jovens que, a exemplo de muitos outros, espalhados do Rio Grande do Sul ao Norte do país estão propagando a necessidade de combater o racismo na luta contra o capitalismo.

Orgulho pra lutar contra a homofobia

Em várias cidades, o PSTU também apresentou candidaturas identificadas com as lutas de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (GLBT), setor não só marcado por uma profunda marginalização como também pelo abandono e desvios de suas lutas, por parte de suas direções tradicionais.

Em Nova Iguaçu, o candidato negro a prefeito Carlos Feliciano, tem como vice Eugênio Ibiapino um dos principais dirigentes do movimento GLBT da Baixada. Dirigente do Triângulo Rosa, um dos grupos mais antigos do Rio, e realizador da primeira Parada do Orgulho Gay na região, Eugênio tem se transformado em referência para a luta contra a homofobia por não seguir a orientação que vem sendo dada à maioria dos grupos do país: a redução da luta histórica do setor a reivindicações que se resumem à tentativa de inserir gays e lésbicas no mercado consumidor.

Assim como Eugênio, os demais candidatos GLBT do PSTU acreditam que a luta contra a homofobia não pode ser desvinculada do combate ao sistema. É esta mensagem que também está sendo dada em Mogi das Cruzes (SP), onde o professor Luis Carlos Sales, coordenador da Apeoesp local é candidato a prefeito e Mauro Luiz a vereador.

O fato de ambos serem militantes do movimento GLBT transformou suas candidaturas em porta-vozes da luta pela aprovação da parceria e união civil de pessoas do mesmo sexo (com amplos direitos legais e previdenciários), do combate à violência contra os GLBT e da discussão do papel da escola e dos professores na luta contra toda e qualquer forma de discriminação. Papel que também está sendo cumprido por Melissa Lopes, candidata a vice-prefeita, em Campos do Jordão (SP), que tem destacado a dupla opressão sofrida pelas mulheres homossexuais.
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