Com mais de 200 pessoas, foi lançado o Comitê Nacional pela Reestatização da Embraer

Com a presença de mais de 200 pessoas, foi lançado nesta quarta-feira, 15, o Comitê Nacional pela Reestatização da Embraer. O evento aconteceu na Assembléia Legislativa do Estado de são Paulo (Alesp).

A atividade foi coordenada por Vivaldo Moreira, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de são José dos Campos, e Nivaldo Santana, do PCdoB. Logo no início, foi exibido um vídeo, produzido pelo sindicato, que emocionou os presentes. Em dez minutos, foi lembrada a história de lutas e greves da Embraer, a mobilização contra a privatização nos anos 1990, chegando aos dias de hoje com a resistência às demissões.

O ex-presidente do sindicato, Adilson dos Santos, o Índio, abriu as falas lembrando o que estava acontecendo na empresa desde as demissões em fevereiro até o lançamento da campanha pela reestatização. “Estamos reescrevendo a história”, disse. Ele falou sobre os prejuízos da privatização para os trabalhadores e para a soberania do país.

Para ele, a Embraer é hoje “uma empresa privada que recebe, via recursos públicos, o dinheiro dos trabalhadores”. Índio também ressaltou que esta não é uma luta só de São José dos Campos, mas dos trabalhadores de todo o país, pois tem a ver com a crise e a ameaça aos empregos e direitos que está colocada para todos.

Plínio de Arruda Sampaio, militante histórico dos movimentos sociais, compareceu ao evento para prestar solidariedade. Ele afirmou que está junto nesta luta: “Eu sou companheiro e camarada para esta briga”. Em sua fala, destacou a dependência do Brasil com relação aos Estados Unidos, que ditam as regras por aqui. “Se vamos ganhar, eu não sei, mas eu vou brigar”, disse.

De São José dos Campos, vieram dois ônibus lotados. Rosangela, 35 anos, estava sentada na plenária com o marido e o filho de apenas sete meses. Ela comentou o momento da demissão. “Senti que acabou, tinha o bebê que só tinha cinco meses, perdi o chão”, conta. Desde então, ela participa de todas as atividades da campanha.

“O sindicato apoiou muito, mas deveria ter mais solidariedade dos colegas”, reclama. Ela refere-se aos que continuam na fábrica, mas entende que eles têm medo de perder seus empregos também. “Tomara que reestatize e que a gente possa retomar os empregos”, disse.

Luís Carlos, trabalhador da Embraer e diretor do sindicato, informou que a truculência continua dentro da fábrica. A repressão chega ao ponto de a empresa proibir a distribuição do jornal do sindicato. “Crise para nós é perder a nossa única fonte de renda, ficar sem nosso salário, sem nossa dignidade”, declarou.

Unidade entre as centrais
Também estavam presentes, representando as centrais, Vagner Gomes (CTB), Julio Turra (CUT), Paulo Pasin (Intesindical) e Atnágoras Lopes (Conlutas). Força sindical, Nova Central Sindical e UGT não compareceram.

Atnágoras Lopes saudou o ato, lembrando que o comitê surgiu da luta direta que começou em fevereiro. Disputar a consciência da classe trabalhadora, para ele, é fundamental para vencer esta batalha. “Temos de fazer chegar [o ato] a todos os 4.200, mostrar que esta luta é possível e que, ao que eles já fizeram, há mais pessoas se somando”, afirmou.

Ele valorizou a unidade que se formou em torno a esta questão, chamou as centrais a repetir o dia 30 de março, dia nacional de lutas. Porém ele também lembrou que não haverá luta pela reestatização que não enfrente o governo Lula. “O presidente da república não tem o direito de ver nesse país um milhão de pais e mães de família sem emprego e dizer que está torcendo”, criticou. Atnágoras disse que é preciso exigir que Lula edite uma medida provisória que garanta estabilidade no emprego e que “além dos atos de vanguarda, é preciso parar a produção no país”.

Vagner Gomes, presidente da CTB, falou sobre o fato de o governo estar dando mais dinheiro para a Embraer, anunciado esta semana. “Isso mostra que a reivindicação dos trabalhadores para não dar dinheiro para empresas que demitem não está adiantando nada”, opinou e disse que a CTB dava todo o apoio à reestatização.

“Não perdemos a capacidade do sonho”
Toninho Ferreira, do PSTU, recriminou o discurso dos patrões e dos governos que diz que cada um deve perder um pouco para ajudar a acabar com a crise. “Quem tem muito, pode perder um pouco e não faz falta”, disse indignado. Destacou que os trabalhadores, se perderem um pouco, perdem tudo o que têm: seu emprego, seu sustento.

Ele, que já foi operário da Embraer e presidente do sindicato, lembrou da luta que os trabalhadores travaram contra a privatização e das greves na empresa. Na época, conta, o agora presidente Lula estava junto com os trabalhadores na porta da empresa. Ele conta, também, que Lula dizia que quando tivesse o poder agiria a favor dos trabalhadores e não é isso que acontece hoje.

Porém os trabalhadores estão vivos. “Nós acreditamos, nós não perdemos a capacidade do sonho, é preciso que a gente lute pela nossa soberania”. Ele terminou chamando todos os presentes a entrar com força na campanha e a manter a unidade para exigir do governo estabilidade e reestatização.

Além do PSTU, outros partidos políticos estiveram presentes, o PCdoB e o PSOL. Também participaram do ato dezenas de entidades dos movimentos sindical, estudantil e popular, mostrando que esta é uma luta de todos.