Diogo Leal

Não é de hoje que alertamos do perigo que é deixar a pandemia de COVID-19 correr solta e se espalhar. O perigo disso é a alta capacidade de contaminação da doença que pode levar ao colapso do sistema de saúde e aí multiplicar as mortes. Foi o que aconteceu em outros países e é a causa da tragédia humanitária em Manaus (AM).

O governador Carlos Moisés (PSL), o prefeito Gean Loureiro (DEM) da capital e os prefeitos das outras cidades ignoraram os alertas dados e seguiram com a política de manter tudo funcionando “normalmente”. A cereja do bolo para a volta da normalidade foi forçar a volta às aulas mesmo com a pandemia se agravando. Não porque se preocupam com a educação das crianças, mas para liberar os pais e mães que ainda estão em homeoffice para voltarem ao trabalho presencial e se contaminarem. É o lema “lucro de poucos acima da vida maioria”. O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) é um símbolo desse descaso. Antes promovia o falso tratamento precoce (cloroquina, ivermectina, ozônio via anal) e agora dá declarações desesperadas dizendo que a consequência da pandemia é avassaladora em sua cidade.

E não podemos esquecer de outro símbolo que é o dono das Lojas Havan, Luciano Hang, que defende com unhas e dentes a cloroquina e grita aos quatro ventos que a pandemia é uma “gripezinha”. Porém, quando pegou COVID-19 foi de jatinho pra São Paulo ser tratado em hospital particular de rico. Isso tudo é um crime contra o povo! As autoridades estão cometendo um crime no Brasil e as consequências em vidas e em desemprego estão sendo pagas pelo povo brasileiro. E quanto mais pobre, mais oprimido, mais duramente sofre com tudo isso. Já são mais de 7 mil mortos no nosso Estado e mais de 249 mil em todo o país. Desemprego e inflação bombando. E 63 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

O colapso do sistema de saúde é responsabilidade dos prefeitos, do governador Moisés e, claro, do presidente Bolsonaro! Cada uma dessas autoridades tem responsabilidade em menor ou maior grau em não terem adotado medidas sérias para impedir que a doença se espalhasse, por não terem feito testes em massa, por disseminarem no SUS o tratamento precoce cientificamente provado ineficaz, e pelo atraso na compra de vacinas e na vacinação. Estamos vendo hoje a consequência dessas decisões e o pior é que pode piorar. A taxa de ocupação de UTI pra adultos no Estado está em 93% (24/02), na Grande Florianópolis está em 94% (24/02). Os medicamentos do “kit intubação” estão em falta em SC por causa do colapso e por atraso de repasse do governo Bolsonaro. A única coisa que restou ao governo Moisés foi reconhecer através de seu secretário de saúde que o Estado entrou em colapso.

É um absurdo o Brasil estar vivendo a pior fase da pandemia em 2021 justamente depois de um ano de pandemia, e quando já existe a “cura” para essa tragédia que é a vacina! A maior parte dos estados está suspendendo a vacinação por falta do imunizante. Menos de 4% da população brasileira recebeu alguma dose da vacina. Destas, apenas um milhão e duzentas mil receberam a segunda dose.

A falta de vacinas é culpa de Bolsonaro e do ministro da saúde Pazuello que praticamente fazem campanha contra a vacinação. O governo segura o dinheiro para comprar as tão necessárias vacinas. Dos mais de R$20 bilhões liberados para compra desde agosto, utilizou somente 9% . O governo ainda recusou a compra de dois milhões de doses da vacina da Pfizer. Também se negou a investir em pesquisa científica e tecnologia através do Instituto Butantã e da Fundação Oswaldo Cruz. Mas, não faltou grana pra produção da ineficaz cloroquina e pra comprar votos dos políticos no Congresso.

O primeiro custo dessa política são as vidas. O segundo são os empregos. O terceiro é que o descontrole da pandemia acelera as mutações podendo gerar um vírus mais perigoso e tornar as vacinas atuais ineficazes. Só tem uma saída: imunizar cada vez mais rápido a população com todas as vacinas disponíveis!

Mesmo diante do descontrole total da pandemia, o governo Moisés e os prefeitos de SC estão exigindo o retorno das aulas. No Estado de São Paulo isso está acontecendo há mais tempo e desde que as atividades presenciais foram retomadas nas escolas estaduais, municipais e particulares, já foram contabilizados oficialmente 741 casos de COVID-19 e mais de 1.100 casos suspeitos.

Em Santa Catarina também está acontecendo isso e pode ser ainda mais trágico na situação de crescimento do COVID-19 e de colapso do sistema de saúde catarinense! Em Blumenau já são 99 professores e 2 estudantes contaminados. Em Xanxerê a situação da cidade é “desesperadora” segundo o prefeito Oscar Martarello (PSDB). Em Florianópolis já tem escolas com surto como na NEIM Maria Salomé dos Santos. Se os governos fossem responsáveis adiariam a volta as aulas até a vacinação e até lá manter o trabalho remoto em nome das vidas dos trabalhadores das escolas e das famílias das crianças.

* Vacina para todos já! Fora Bolsonaro, Mourão e Pazuello!

* Quebrar as patentes da indústria farmacêutica para produção em massa das vacinas!

*Quarentena para valer! Com auxílio emergencial e proibição de demissões! 

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