Rui Costa (PT), em coletiva de imprensa, apresenta medidas que são insuficientes para conter o avanço da Covid-19

Otávio Aranha, de Salvador (BA)

Manhã de terça-feira (23), Salvador, um passageiro filma o interior de um ônibus que faz a linha Fazenda Grande/Pituba, o coletivo está completamente lotado. Segundo outro passageiro, a situação é recorrente em todas as manhãs na única linha que passa pelos bairros de Cajazeiras VI e VII, periferia de Salvador, em direção ao bairro de Pituba. Esta notícia, publicada no G1, ajuda a entender por que o sistema de leitos e UTIs de Covid-19 no Estado da Bahia estão entrando em colapso, o que pode provocar uma grande tragédia.

É necessário que a taxa de transmissão do vírus seja reduzida e, para isso, medidas urgentes são necessárias. Contudo, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), contrariando o que os especialistas e pesquisadores recomendam, determinou um lockdown de fim de semana, com fechamento de bares, restaurantes e proibição de venda de bebidas alcoólicas em supermercados, que vigorará a partir das 17 horas de sexta-feira, 26, até às 5 horas da manhã de segunda, 1 de março.

A medida é criticada por um dos maiores especialistas em pandemia no Brasil, o cientista Miguel Nicolelis: “Não existe lockdown de final de semana que tenha funcionado em nenhum lugar. Ou faz direito – 2-3 semanas no mínimo – ou não espere resultados reais e duradouros. Aviso está dado mais uma vez. Salvador deveria ter feito lockdown em julho do ano passado. Não fez e sofre com isso hoje”, afirmou num jornal local.

Em vez de jogar a responsabilidade para os baianos e sua cervejinha de fim de semana, o governador do PT, caso realmente estivesse preocupado com a situação da pandemia no Estado, deveria fazer um lockdown total, com paralisação de todos os serviços não essenciais durante o mínimo de 15 dias; deveria garantir um auxílio financeiro estadual para os trabalhadores, desempregados, ambulantes, músicos, micro e pequenas empresas se sustentarem neste período; deveria suspender a cobrança da taxa da Embasa e da Coelba nos bairros populares este mês e deveria organizar uma frente nacional em defesa da quebra das patentes das vacinas, em vez de ser garoto-propaganda da sputink russa.

Mas Rui Costa não vai fazer isso por que governa para as grandes empresas capitalistas, que querem tudo aberto e funcionando durante a semana, como se não houvesse pandemia. Assim, neste armengue de lockdown do governador, que aparece na TV como um duro defensor da vida, na verdade é um grande fakenews para enganar a população. Neste sentido, sua política se encontra com a do genocida Bolsonaro, que coloca o lucro acima das vidas.

Próxima segunda-feira, logo após às 5 horas da manhã, quando terminar o lockdown fake de Rui Costa, os ônibus que passam por Cajazeiras, levando centenas de trabalhadores, mulheres, negros, jovens em busca de emprego, continuarão lotados. A Covid-19 e suas cepas continuarão fazendo novas vítimas, principalmente nestes setores, o que poderá levar a 100% de ocupação das UTIs, o que não desejamos. Porém, enquanto as grandes empresas lucram com a exploração do trabalhador, que é forçado a se sujeitar aos coletivos lotados no deslocamento de casa para o trabalho, Rui Costa vai responsabilizar a população baiana pelo fim de semana.

Governador, o vírus não respeita o seu armengue! O sangue das vítimas da Covid-19 também estará em suas mãos, tal qual está na de Bolsonaro.

– Lockdown total já!
– Auxílio financeiro estadual para os trabalhadores e desempregados!
– Suspensão da taxa da Embasa e da Coelba em bairros populares!
– Contratação imediata de mais médicos, enfermeiros e técnicos!
– Abertura de novos leitos e UTI’s!
– Pela quebra das patentes das vacinas!
– Fora Bolsonaro e Mourão!

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