Cinco anos depois, plano de Bush no Iraque é derrotado

No dia 19, completam-se cinco anos da guerra no Iraque. Quando iniciou a guerra, o governo norte-americano de George W. Bush planejava invadir rapidamente o país, depondo a ditadura de Saddam para impor um novo governo fantoche a fim de “estabilizar” o Iraque. Desejava, assim, promover uma imensa rapina ao petróleo da segunda maior reserva do mundo. Cinco anos depois, pode-se dizer com toda a segurança que os planos imperialistas fracassaram de forma retumbante.

No Iraque, a guerra só trouxe mortes e destruição. Segundo a Cruz Vermelha, a situação humanitária no país é classificada como “uma das mais críticas do mundo”. Milhões de iraquianos vivem sem acesso à água tratada, saneamento básico ou atendimento à saúde. Segundo organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, estima-se que entre 400 mil a 1 milhão de civis iraquianos foram mortos até agora. Cerca de 4 milhões de iraquianos são refugiados. Algo que representa 16% da população do país. Os dados publicados até agora são uma pequena demonstração dessa cruel realidade.

Por outro lado, no plano da política norte-americana a guerra causou uma profunda crise do imperialismo. Nem mesmo todo o dinheiro despejado no conflito e os milhares de soldados enviados ao país (até agora passaram pelo Iraque 1,6 milhão de militares) fez com que os planos do imperialismo lograssem algum sucesso.

Em cinco anos, 3.983 soldados dos EUA foram mortos em ações da resistência iraquiana. A guerra já custou cerca de 3 trilhões de dólares, segundo um levantamento de Joseph E Stiglitz, professor da universidade Columbia. Muito mais dos que os U$ 60 bilhões estimados inicialmente pelo governo Bush.

Como se não bastasse os EUA contam com uma tropa regular de 157 mil soldados no país. Além disso, estima-se que entre 100 mil e 130 mil mercenários são empregados em ação na ocupação do Iraque. Mas nada disso foi suficiente para “estabilizar” o país. Nem mesmo a Zona Verde, onde estão os edifícios do governo iraquiano e embaixada dos EUA. No último dia 17, foguetes Katyusha fora lançados contra a região pela resistência.

Os mercenários são importantes não somente para assegurar os “negócios” de empresários dos EUA na região, como é essencial para manter a ocupação norte-americana. Seu crescimento deve-se, sobretudo, à impossibilidades do governo Bush recrutar soldados para atuar na carnificina. Mesmo assim, a guerra de Bush continua afundando cada vez mais.

Baixas internas
Durante estes cinco anos, a equipe titular de falcões da Casa Branca também sofreu duras baixas. Muitos já caíram em função do enfraquecimento da atual administração, como o ex-secretário da Defesa Donald Rumsfeld, o ex-secretário de Estado Colin Powell, e o ex-secretário-assistente da Defesa Paul Wolfowitz.

Outros estão envolvidos até o pescoço em escandalosos casos de corrupção. É o caso do vice-presidente Dick Cheney. Como se não bastasse, o Partido Republicano de Bush perdeu sua maioria no Congresso. Desde então, Bush governa sob a complacência dos democratas.

No plano externo, a situação não foi diferente. Nestes cinco anos nenhum dos chefes de governos que apoiaram a guerra de Bush conseguiram se manter no poder. Da Espanha, passando pela Grã-Bretanha até a Austrália, um a um os aliados de Washington amargaram profundas derrotas eleitorais. Para Bush, sobrou apenas o “significante” apoio do governo da Albânia…

Sem rumo
Mesmo antes de completar cinco anos estava claro o destino da guerra: a ocupação se transformou num pântano que encurralou as tropas invasoras. A situação é crítica para o imperialismo – por um lado, não pode retirar as tropas, exceto se admitir a derrota; por outro, não sabe como mantê-las.

Por isso, um dos grandes temas nestas eleições presidenciais é sobre o que fazer com a ocupação do Iraque. De um lado, o candidato republicano, John McCain defende a ocupação por mais 100 anos. Para concretizar seu apoio, McCain visitou o Iraque no último dia 17, às vésperas do aniversário da ocupação.

De outro lado, surgem os candidatos democratas, Hillary Clinton e Barak Obama. Ambos servem à necessidade do imperialismo “reciclar” sua imagem. Com uma nova cara (de uma mulher ou de um negro na Casa Branca), mas com mesma velha política de dominação. Dessa forma é possível que o imperialismo norte-americano tenha um presidente com apoio popular. Visto, inclusive, com mais simpatia pelo mundo, diferente do ódio generalizado que existe contra Bush .

Clinton diz que se opõe à ocupação, mas a candidata votou a favor dos planos de Bush há cinco anos atrás. Obama, por sua vez, fala que vai retirar as tropas dos EUA do Iraque, mas só depois de “vencer a guerra”.

Cinco depois o imperialismo procura uma saída viável, diante da crise econômica e do pântano iraquiano. Qual será o futuro do Iraque nos próximos cinco anos? Seja quem for que ocupe a Casa Branca a situação do povo iraquiano não vai melhorar. Além disso, o próximo presidente dos EUA, seja quem for, vai querer cobrar a conta pela crise dos povos oprimidos do mundo.