Chapa da Conlutas enfrenta também as empresas

Nas eleições para o Sindicato dos Metalúrgicos, patrões não querem a continuidade de uma diretoria combativa e, por isso, pressionam trabalhadoresAs eleições para o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região (SP) caminham para a reta final. A votação ocorre nos dias 11 e 12 de março. Num momento em que a crise econômica afeta duramente a categoria, muitas coisas estão em jogo nestas eleições.

De um lado, a Chapa 1, da Conlutas, que representa a atual direção da entidade, comprometida com a luta contra as demissões e a retirada de direitos. De outro, a Chapa 2, da CUT, e a Chapa 3, da Força Sindical. Ambas representam o retrocesso, o atrelamento ao governo e a entrega sistemática de direitos dos trabalhadores, como vêm fazendo em sindicatos de todo o país.

Estranhas coincidências
Durante a campanha eleitoral, vários fatos mostraram que a Conlutas enfrenta bem mais que as centrais pelegas. Estão por trás, sobretudo, os interesses das grandes empresas. Na General Motors, por exemplo, quase todos os componentes da chapa da Conlutas foram colocados em férias coletivas.

Dos 15 integrantes da chapa, 13 foram mandados para casa. Enquanto isso, a grande maioria das outras chapas permanece dentro da fábrica, livre para fazer campanha. A GM quer fazer de tudo para mudar a atual direção do sindicato. No interior da fábrica, predominam os materiais da CUT, com a conivência da multinacional. No dia 2 de março, a Chapa 1 conseguiu na Justiça uma liminar que garante a volta de seus integrantes à empresa.

“Ficamos sabendo que a GM tem feito reuniões com os trabalhadores, dizendo que se nós ganharmos tudo vai ficar mais difícil, falando sobre a crise econômica”, revela Vivaldo Moreira, candidato a presidente pela Chapa 1. Tal chantagem vem ocorrendo também em outras fábricas. “É mais uma forma de pressão das empresas para jogar os trabalhadores contra o sindicato e a Chapa 1”.

Tal discurso, coincidentemente, é o mesmo utilizado pelas outras chapas. Afirmam que a atual direção “não negocia” e que isso vai gerar mais desemprego. Em outra fábrica, na Sadefem, deram férias coletivas a um integrante da chapa da Conlutas no dia 28 de fevereiro, justo quando a campanha entrou em seus momentos decisivos. A pressão e a chantagem tornaram-se armas das empresas contra a Chapa 1.

“Na verdade, nós somos os que mais negociamos. O problema é que tipo de negociação você faz. Quando as outras chapas falam em negociação, isso pra eles representa redução de salários e entrega de direitos”, afirma Vivaldo.

A Embraer aparece mais uma vez como exemplo. Desde dezembro, o sindicato vinha chamando a empresa para tratar das demissões. A falta de diálogo e a intransigência partiram, como sempre, da própria empresa. Com as demissões consumadas, o sindicato e a Conlutas convocaram uma ampla unidade entre várias centrais sindicais na luta pelos empregos. A única que não apareceu foi a CUT.

Campanha unida com a luta contra as demissões
O tom da campanha da Chapa 1, ao contrário, aponta para a luta e as mobilizações contra as demissões e em defesa dos empregos. O sindicato tornou-se já uma referência nacional de luta nestes tempos de crise. Não é à toa que as camisetas vermelhas da chapa da Conlutas são presença constante em praticamente todas as mobilizações da categoria neste período.

“Nesta campanha estamos priorizando a luta contra as demissões”, afirma Vivaldo. Expressão da diferença existente entre a chapa da Conlutas e a da CUT esteve no dia em que a Embraer anunciou as 4.200 demissões. Enquanto a Chapa 1 preparava a mobilização, se dirigia para a portaria da fábrica e enfrentava até a polícia, o presidente da CUT, Artur Henrique, estava no Planalto com Lula e se dizia indignado com as demissões. Mais tarde soube-se que a CUT e o governo já sabiam dos cortes dias antes.

O que está em jogo nestas eleições é bem mais que a nova composição da diretoria do sindicato. É o futuro da luta contra as demissões, num momento em que a crise se agrava e os patrões partem para a ofensiva contra os salários e os direitos.

Post author Da redação
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