Cerca de 1.500 trabalhadores tomaram as ruas de Fortaleza

Ato unificado em Fortaleza
Fernando Saraiva

Na capital cearense, o dia 14 de agosto superou as expectativas dos organizadores. Não foi apenas um dia de mobilizações, mas também de paralisações. Estas ocorreram entre os trabalhadores da construção civil, professores municipais e na Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Na construção civil, a paralisação se deu na praça do Jardim América, terminal onde se deslocam cerca de mil operários em direção a alguns canteiros de obra centrais. No caso dos professores municipais, a categoria parou por 24 horas, dias depois de suspender uma greve de meses. Na UECE, professores e estudantes pararam a universidade para exigir concurso público.

Essas greves parciais juntaram suas forças com as centrais sindicais, o MST e o Movimento dos Conselhos Populares (MCP) e ganharam as ruas de Fortaleza. Aproximadamente 1.500 trabalhadores participaram da manifestação unificada.

Além das bandeiras nacionais, cumpriu um papel de peso a bandeira de luta contra a Coelce, empresa estatal de energia privatizada para os gringos ainda no governo do coronel Tasso Jereissati. Em frente à empresa, a multidão radicalizada colocou abaixo os portões da distribuidora de energia e conseguiu que uma comissão entrasse e negociasse as reivindicações do movimento que, dentre outras coisas, luta pela reestatização da empresa.

A Conlutas e a Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel) cumpriram um papel de primeiro plano. O atraso na saída dos ônibus da construção civil foi garantido pelo sindicato da categoria, que é dirigido pela Conlutas. Em professores municipais e UECE, a Conlutas Pela Base na Educação e a militância da Anel foram fundamentais não só para paralisar as atividades, mas pra mover os trabalhadores para o ato unificado.

Politicamente, se estabeleceu uma linha divisória muito nítida entre aqueles que estão na oposição de esquerda ao governo Lula (Conlutas, Intersindical, PSTU, PSOL etc.) e os governistas da CUT, PT e PCdoB, que não se envergonharam de defender a política de salvação do presidente do senado, José Sarney. Assim, coube à oposição de esquerda a defesa do “Fora Sarney” frente à pelegagem que ou o defendia ou simplesmente silenciava de forma cúmplice.

Falando pela Conlutas, a principal liderança da confecção feminina, Maria de Santana, falou da existência de um Brasil da corrupção, do senador Sarney e do presidente Lula que ajuda aquele e ao empresariado, mas que, nas ruas, estava outro Brasil, o dos trabalhadores que lutam e defendem os seus direitos.