Apresentação de Natal em Iguatu, em 2018

Carlos Silva, Presidente Municipal do PSTU-Iguatu

“Iguatu capital do centro Sul
Uma ‘capital sem cultura’
Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus
Também roubaro o meu amor
Que era a luz, ai, dos óios meus”
( “Assum preto”, Humberto Teixeira )

Iguatu pode ser reconhecido como um dos principais berços da cultura no Ceará, sendo aqui a terra de Eliazar de Carvalho, Humberto Teixeira e Evaldo Gouveia. Esse fato é o suficiente pra deixar nossa região conhecida na cultura nacional.

A notícia de que a Secretaria de Cultura da principal cidade da região centro sul do Ceará não será mais uma pasta, fazendo com que o prefeito reeleito Ednaldo Lavor (PSD) aplique a mesma política do Bolsonaro, vem sendo recebido pelo setor artístico e pelos membros e funcionários dessa importante pasta com muita preocupação e tristeza.

É o mesmo passo que o governo Bolsonaro vem tomando, o mesmo governo que já trata a cultura com total descaso e impõe uma instabilidade sem tamanho pelas incertezas do setor. Por sua vez, movido por um discurso ideológico de “guerra cultural”, o atual Governo Federal tem atuado na censura às manifestações e na difamação da classe artística brasileira.

Nesse momento, muitos artistas, que já sofriam grandes dificuldades pelo desmonte da cultura nos governos anteriores, têm a situação agravada com Bolsonaro. Veem-se duplamente atingidos, já que muitos não podem atuar, e é nessa mesma linha política, ao juntar as pastas, Cultura e Educação, que podemos ver o fim de uma história cultural de nossa terra.

Cultura não é pão e circo! Não é a visão empresarial, que considera Cultura como negócio e/ou mercadoria. Porque Cultura é modo de vida e existência, invenção e criação. Mais do que isso, é vontade de mudar. Existência que se inventa/reinventa/resiste à massificação cotidiana imposta pela reprodução capitalista, pela alienação do trabalho, pela ideologia do vencedor.

A cultura se apresenta nas expressões que marcam os acordes da viola, as estrofes do cordel, a rima pesada do rap, o verso fino do poeta. Está na mais íntima expressão das cores nas artes plásticas, nas galerias e nos museus, como também em muros e paredes com o grafite. Registra-se em todo sarau quando reinventa a poética da cidade. Está presente nos sons apurados da orquestra sinfônica, na métrica construída na plasticidade do corpo de ballet clássico, na invenção mágica das imagens do cineasta.

Atividade humana, trabalho apurado na matéria-prima da sensibilidade, no domínio técnico de uma linguagem. São expressões que saem da vida, de modos de vida e de trabalhos, e somente existem em razão da atividade de milhões e milhões de pessoas. É o que se cria enquanto se resiste à lógica perversa do capital, no bom deboche e escracho, na gíria, no riso sarcástico na sofrida melodia do ônibus lotado, do metrô empilhado, do miserável salário e com o xingo do patrão.

O PSTU/Iguatu-CE, repudia e exige a permanência dessa importante pasta e, mais que só a existência da secretaria apenas,  a manutenção integral dessa pasta, dos funcionários, a revitalização dos equipamentos como o teatro, escola de música, museus e bibliotecas, como também dos subsídios e assistência aos profissionais da arte que, neste momento crítico de pandemia, estão sem poder exerce sua arte.

A cultura é do povo.