Carta aberta aos militantes do PT: Aliança de Lula com PL e PMDB é um escândalo

Companheiros,

A aliança do PT com o PL ( de José de Alencar, do Bispo Edir Macedo e do pelego Medeiros), as articulações com Quércia e Requião ( PMDB) e o programa que Lula e a direção petista vêm defendendo são um fator de retrocesso para a consciência, luta e organização dos trabalhadores.

Nós do PSTU decidimos lançar uma pré-candidatura à Presidência da República quando a maioria da direção do PT aprovou alianças com a burguesia e apresentou um programa de governo que é uma rendição ao imperialismo: silencia sobre a ALCA, diz que pagará a dívida externa, não reverá as privatizações e não descarta acordos com o FMI.

Lançamos uma pré-candidatura para discutir a necessidade de lutarmos para que Lula encabeçasse uma Frente dos Trabalhadores, com um vice do MST e um programa de ruptura com a ALCA e com o FMI; de não pagamento da dívida externa, reestatização das empresas privatizadas, estatização do sistema financeiro e defesa das reivindicações dos trabalhadores.

“Fazemos um chamado ao PT para que rompa com a burguesia e conforme uma Frente dos Trabalhadores com um programa anticapitalista”

Continuamos afirmando que se Lula e o PT romperem com a burguesia e assumirem um programa anticapitalista retiraremos nossa pré-candidatura.

Mas companheiros, o PT e Lula a cada dia que passa têm ido mais para a direita.

José de Alencar (PL) que diz ser “o patrão que o Brasil precisa” recebeu de Raimundo Bonfim, petista da CMP, a melhor resposta: “Se ele vier a ser o vice de Lula, o candidato petista é que deixará de ser o operário que o Brasil precisa”.

De fato, que novo Brasil possível será esse que – em aliança com tipos como José de Alencar e Quércia e pagando a dívida externa – um eventual governo Lula construirá?

Um chamado à esquerda petista e ao MST

Estamos solidários com a luta de vocês contra a aliança com o PL. Podem contar conosco nessa luta!

Vamos exigir que Lula rompa também com Quércia e demais burgueses e assuma um programa de ruptura.

Mas, companheiros, vocês sabem que é muito difícil reverter esse curso do PT.

Vocês acreditam que Lula, com as alianças e programa atuais, fará uma campanha que signifique algum acúmulo de forças (de consciência, organização e mobilização) para a classe trabalhadora?

Vamos seguir atuando juntos no movimento social: colocando nas ruas a luta contra a ALCA e um programa de ruptura. A esquerda deve se unir e oferecer uma alternativa de luta, classista e socialista ao imperialismo e a burguesia, mas também ao projeto da direção do PT.

Nós do PSTU não nos furtaremos da tarefa de apresentar uma alternativa nas lutas e, se necessário, nas eleições.

Mas sabemos que essa não é uma tarefa só nossa.

Por isso nos dirigimos a vocês, companheiros socialistas que estão no PT, MST, Consulta Popular: – Se Lula e o PT não romperem com a burguesia e não adotarem um programa anticapitalista, vamos construir juntos nas lutas e nas eleições um pólo de esquerda!

Fazer uma campanha Lula, apenas cortando do selinho o nome de José de Alencar, significará abdicar de construir uma alternativa que possa evitar a desmoralização de milhares de ativistas.

Queremos dizer que se vocês se dispuserem a construir essa alternativa conosco, estamos dispostos a abrir mão do nosso nome e oferecer nossa legenda a um nome indicado por vocês para fazermos uma campanha em nome de uma Frente de Esquerda.

Unir a esquerda Socialista

Acreditamos ser necessário um novo partido no Brasil que una os revolucionários socialistas.

A falência do PT como instrumento de luta das massas trabalhadoras e de combate ao imperialismo e ao capitalismo é uma evidência.

O êxito eleitoral do PT pode ofuscar tal realidade, mas não muda sua falência enquanto uma alavanca de luta das massas para uma mudança radical do país.

Não nos auto-proclamamos como sendo este partido, porque pensamos que ele deve ser muito mais amplo que nós, embora devamos ser parte dele.

Queremos discutir esta questão porque temos um desafio para chegar a uma revolução socialista no país: ter um partido revolucionário de massas.