Capitalismo promove catástrofe ambiental

Relatório comprova que humanidade vive sob o fantasma do colapso ambiental e recoloca dilema entre socialismo ou barbárie

O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), sobre a avaliação das mudanças no clima do planeta, divulgado no último dia 2, trouxe à luz conclusões dramáticas sobre o futuro do planeta diante do aquecimento global. Há anos diversos cientistas têm alertado sobre o risco de uma catástrofe climática ocasionada pelo efeito estufa. Mas o que existe de novo no relatório do IPCC? Pela primeira vez um estudo reunindo as maiores autoridades do assunto apontou de forma consensual que a atividade humana, principalmente com a queima de combustíveis fósseis, é responsável pelo fenômeno.

O relatório também prevê um futuro sombrio para o planeta no próximo século. Até 2100 a temperatura da Terra aumentará entre 1,8ºC e 4ºC. Os últimos 11 anos foram apontados como os mais quentes desde o início das medições, há 100 anos. O pior de tudo é que o aquecimento já produziu fenômenos irreversíveis.

Devido ao efeito estufa acumulado, será inevitável que o aumento da temperatura continue ao ritmo de 0,1ºC por década, ainda que o nível de emissão de poluentes se mantenha nos níveis medidos em 2000.

Como conseqüência, o estudo aponta a possibilidade do derretimento total do gelo do Pólo Norte até 2100 e a redução da cobertura de neve em outras áreas do planeta. O que significará uma elevação do nível do mar, que poderia chegar a até 59cm, número considerado tímido por muitos especialistas. Se confirmadas as previsões do IPCC, o derretimento das geleiras faria com que cidades costeiras como Rio de Janeiro, Recife ou Nova Iorque desaparecessem inundadas pelos oceanos. As mudanças climáticas também provocariam o desaparecimento de 50% das espécies de fauna e flora do planeta, muitas delas ainda desconhecidas. Como disse um cientista, seria como se queimássemos livros antes de lê-los.

Um outro documento do IPCC, que será divulgado em abril, mostra que o aquecimento global provocará secas e desertificações e estima que entre 200 e 600 milhões de pessoas enfrentarão falta de alimentos daqui a 70 anos. Além disso, até o final do século a escassez de água poderá afetar entre 1,1 e 3,2 bilhões de pessoas, em continentes como África e Europa, países como Austrália e China e partes dos EUA.

Responsáveis
O aquecimento global é provocado, principalmente, pelo aumento da emissão de gás carbônico na atmosfera, causado pela queima de petróleo, carvão mineral e gás. O CO2 (dióxido de carbono, principal gás que produz o efeito estufa) liberado na atmosfera funciona como um cobertor, impedindo que a energia solar atmosférica se dissipe no espaço. Por isso, é chamado de efeito estufa, pois cria o fenômeno de uma ?estufa planetária?. Resulta, assim, que essa energia eleva também a temperatura dos mares.

Os países imperialistas são os maiores poluidores do planeta. Além de liberar mais de 20% da emissão dos gases estufa, os EUA produzem dez vezes mais CO2 per capita do que a média de países como Brasil e Índia. De acordo com o Departamento de Energia do país, de 1990 a 2005 a emissão do gás simplesmente dobrou.

Não verá planeta algum
As conseqüências do efeito estufa sobre o clima estão cada vez mais evidentes. Fenômenos climáticos extremos (enchentes, secas, ondas de calor, etc.) foram uma constante no ano passado e colocaram o aquecimento na pauta das discussões mundiais.

Em seu livro ?Colapso?, o biólogo norte-americano Jared Diamond trata de diversas sociedades do passado que entraram em crise terminal e desapareceram por terem esgotado seus recursos ecológicos em função das formas em que se organizavam. Civilizações inteiras naufragaram quando desperdiçaram recursos e ignoraram os sinais de esgotamento ambiental. A contradição entre seu modo de produção e a má utilização dos recursos disponíveis as conduziu à ruína.

O capitalismo em sua fase atual se converte cada vez mais em uma séria ameaça que pode arrastar a humanidade à barbárie. O fantasma do colapso hoje ameaça a civilização em escala planetária, isso porque pela primeira vez na história a humanidade vive sob um único regime de produção.

Capitalismo ecológico?
O relatório do IPCC provocou choque e espanto em todo o mundo. Líderes mundiais e a grande imprensa saíram na defesa de propostas absolutamente ineficazes para reverter ou impedir o avanço da destruição, como o Protocolo de Kyoto, firmado em 1997. O acordo estabelece metas insuficientes para conter o aquecimento, pedindo que países industrializados diminuam em 5,2% a quantidade de gás carbônico jogada na atmosfera, em relação aos índices medidos em 1990.

O próprio IPCC mostra a insuficiência dessa meta quando afirma que a emissão dos gases estufa deve ser reduzida pela metade. Mesmo assim, os EUA se recusam a cumprir até mesmo as rebaixadas metas de Kyoto. Aliás, o simples fato de o imperialismo não aderir às metas provocou a falência do acordo.

Essa proposta insere-se no marco da defesa de um ?capitalismo ecológico?, com rosto humano. O sistema, no entanto, não pode superar a crise que provocou, pois isso significaria pôr limites à acumulação capitalista.

O capitalismo promove uma enorme destruição das condições para a sobrevivência da humanidade. Não poderia ser de outro modo, uma vez que a força motriz da produção capitalista é o lucro. A sua busca gera a anarquia da produção que, por sua vez, gera superprodução, crises econômicas e esgotamento dos recursos naturais. Nesse marco predatório e de concorrência entre os burgueses, é impossível que o capitalismo possa utilizar tecnologias racionais e não poluentes, uma vez que sua adoção é infinitamente menos rentável para os capitalistas.

O aumento das emissões de CO2 é conseqüência de uma política energética orientada a proporcionar os máximos lucros. Basta ver que no mesmo dia da divulgação do relatório do IPCC a petroleira norte-americana Exxon anunciou um lucro de US$ 39,5 bilhões, o maior de toda a história do capitalismo.

Socialismo ou barbárie
A bandeira ecológica insere-se na luta pela superação completa do regime de exploração. Ou o capitalismo é superado ou a humanidade seguirá para a barbárie e o ecocídio.

O fim da exploração irracional dos solos, da pilhagem e do desperdício dos recursos do planeta só pode ser alcançado por um mundo socialista, baseado na propriedade social dos meios de produção e no planejamento econômico que possa garantir a racionalização da exploração dos recursos do planeta. Dessa forma, se poderá avançar em novas tecnologias voltadas para o bem-estar da humanidade.

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