Caos em São Paulo: A culpa é dos governos

Região da Barra Funda: SP debaixo d'água Foto Romerito Pontes

De Dubai, nos Emirados Árabes, governador João Dória (PSDB) pede à população que fique em casa. Prefeitura e governo aplicaram um terço das verbas de combate às enchentes

Milhões de trabalhadores e estudantes se depararam, na manhã desta segunda-feira, 10, com um caos ainda maior do que enfrentam diariamente na capital paulista. A forte chuva que caiu na madrugada, e que segue durante o dia, inundou bairros inteiros, fez transbordar os rios Tietê e Pinheiros alagando as principais vias da cidade, e provocou deslizamentos e desabamentos em morros e encostas. Um verdadeiro inferno molhado para o povo pobre de São Paulo.

Dubai 10 02 2020- O governador de São Paulo João Dóriae Henrique Meireles durante Almoço com o CEO do Grupo Al Ghurair, Djamal Djouhri Doria está em visitas nos emirados. foto GOVESP

De Dubai, nos Emirados Árabes, o governador João Dória (PSDB) disse à população que não saísse de casa. “Evitem deslocamentos que não sejam absolutamente necessários até que as chuvas dimunam“, escreveu Dória nas redes sociais. A defesa civil do estado já havia “sugerido” a medida à população. Um verdadeiro deboche a milhões de paulistanos em plena segunda-feira, como se, para os trabalhadores, houvesse opção de ficar em casa e perder o dia de trabalho, ou o emprego. Com a maior cara de pau, o governador ainda culpou a “mudança climática” que “está impondo um volume maior de chuvas”. Mudança climática que Bolsonaro, com quem esteve agarrado na eleição, sempre negou, e que ajuda com o desmatamento e as queimadas na Amazônia.

Culpa dos governos

Se as mudanças climáticas provocadas pela ação humana são uma realidade, pioradas por governos como o de Bolsonaro, as chuvas de verão fazem parte da realidade que, anos após anos, provocam tragédias país afora. Todos sabem, e os governos mais ainda, que entre janeiro e março chove muito. No entanto, nada fazem para combater os efeitos das chuvas. Em São Paulo, a prefeitura de Bruno Covas (PSDB) anunciou a meta de 19 piscinões contra as enchentes. Fez só 8 até agora.

Ainda na capital paulista, 17 grandes obras de drenagem estão se arrastando por vários anos e gestões. O governo do estado, por sua vez, deixou de usar 40% da verba para prevenção de enchentes em 2019. Juntos, prefeitura e estado gastaram só um terço da verba de combate a enchentes entre 2017 e 2018.

Enquanto isso, é o povo pobre que sofre as consequências dos alagamentos e que morre nas enxurradas e delizamentos de terra. Se a chuva que cai é “democrática”, as consequências se abatem sob o elo mais fraco, atingindo os mais pobres que são obrigados a morar em áreas de risco, perdem a vida ou os poucos bens que possuem, ou que simplesmente dependem do transporte público para chegar no trabalho. E não podem viajar para Dubai.

Tragédia por omissão que acabamos de ver também em Minas Gerais, cujo número de mortos pelas chuvas chega a quase 60 até o momento.

O caos cada vez mais frequente provocado pelo clima é ainda expressão da destruição do meio ambiente e a mudança climática que o governo obscurantista de Bolsonaro, e seus apoiadores, sempre negaram e que agravam através do avanço sobre a Amazônia, o desmatamento e as queimadas.

É preciso fazer o óbvio: investir em obras de prevenção, construir piscinões, investir em moradias populares em áreas seguras e transporte público. Covas, Doria e Bolsonaro, porém, governam para os ricos e os banqueiros, e preferem pagar a dívida, privatizar o que resta dos serviços públicos, aplicar ajuste fiscal e atacar direitos a investir em serviços ao conjunto da população.