Bush foi eleito, mas terá que enfrentar o ódio de milhões

Charge norte-americana
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A direita norte-americana obteve vitória nas eleições. Bush foi reeleito para um novo mandato de quatro anos com 3 milhões de votos a mais em relação a Kerry. Uma vantagem muito grande, bem diferente da eleição passada, em 2000, quando venceu apertado, por apenas um voto a mais no Colégio Eleitoral, em eleições fraudadas.

As eleições fortalecem e legitimam Bush e sua postura militarista. Ele conseguiu a maioria do voto popular e do Colégio Eleitoral, sem a crise das últimas eleições, além da maioria no Senado e da Câmara dos Deputados. Houve um relativo fortalecimento do regime, uma maior confiança nas eleições. Estima-se que mais de 120 milhões de pessoas votaram (60% dos eleitores), o que é uma novidade nos EUA, onde o voto não é obrigatório e em geral há pouco comparecimento às urnas.

O imperialismo se fortalece conjunturalmente. Mas é preciso analisar as condições em que isso se deu nos EUA e a conjuntura internacional, para ver as conseqüências das eleições norte-americanas. Ao contrário do que a imprensa internacional está divulgando, o resultado não deve ser um mundo arrasado pelo “super-Bush”, mas uma polarização mais intensa da luta de classes, com o aumento das crises.

A ofensiva de Bush já vinha se desgastando

Toda a análise da situação dos EUA deve ser tomada a partir do marco do 11 de Setembro. Os EUA dividem-se em um país antes e outro depois dos atentados.

Quando subiram ao poder, em 2000, Bush e a direita americana tinham pouco respaldo na opinião pública. Ganhou pelo Colégio Eleitoral, mediante fraudes na Flórida.

Sua queda de popularidade foi revertida com os atentados de 11 de Setembro. Para ele, esses atentados se revelaram muito úteis. Bush chegou a 80% de credibilidade, um recorde histórico alcançado com a estratégia de usar intensamente o temor da população dos EUA, para inflar a “guerra contra o terror”.

As vitórias no Afeganistão e Iraque (no início da ocupação) também colaboraram. No entanto, esse boom de credibilidade não durou muito. Dois fatores falaram mais alto: o aumento da resistência iraquiana, que transformou esse país num pântano para as tropas norte-americanas, e a crise econômica interna dos EUA, com o aumento do desemprego e do déficit público.

A partir daí, Bush começou a perder credibilidade. A opinião pública norte-americana dividiu-se em relação ao respaldo à política militarista, à medida que seu arsenal de mentiras vinha à-tona, sobretudo quando se descobriu que não existiam depósitos de armas químicas no Iraque.

As ruas falaram alto

Em 29 de agosto, enquanto se realizava a convenção do Partido Republicano em Nova York, mais de 300 mil pessoas faziam uma marcha aos gritos de “Bush mentiu, muitos morreram”, “Basta de guerras por petróleo”. A polarização social e política, vinda em boa parte da situação internacional, expressavam-se nos EUA.

Uma parte importante da grande burguesia imperialista, representada pelo financista George Soros e importantes jornais como The New York Times e Washington Post, rompeu com Bush e apoiou Kerry.

Bush precisou recuar parcialmente em seu projeto: depois do Afeganistão e do Iraque, queria invadir o Irã, a Síria, numa voragem imperialista para controlar o petróleo. Agora, não fala mais nisso. Na Venezuela, promoveu um golpe. Depois da derrota também no plebiscito, agora busca negociar com o presidente Hugo Chavez.

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