Bush enfrenta a sua maior crise política

Pântano iraquiano e escândalo com assessores mostram crise do governo norte-americanoO governo Bush enfrenta uma crise de grandes proporções, tanto a nível internacional como em seu front interno. Tom DeLay, seu ex-líder republicano da Câmara dos Deputados, foi denunciado por corrupção nos fundos eleitorais. Existem investigações sobre manobras ilícitas na Bolsa de Valores cometidas por Bill First, atual líder republicano no Senado. Lewis Libby, principal assessor do vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, renunciou neste 28 de outubro, depois de ser indiciado por falso-testemunho e obstrução da Justiça, por sua relação com o vazamento da identidade da agente secreta da CIA, Valerie Plame. Karl Rove, assessor político e braço direito de Bush, também se encontra envolvido no mesmo processo.

O caso atinge diretamente o governo Bush e a política de continuidade da Guerra do Iraque, já que, na época, Plame era mulher do embaixador norte-americano Joseph Wilson. O embaixador foi um dos maiores críticos da suposta acusação dos EUA – comprovadamente falsa – de que, em 2002, o então presidente do Iraque, Saddam Hussein, teria comprado urânio do Níger para fabricar armas nucleares.

“Plamegate”
A possibilidade de envolvimento do próprio vice-presidente fez tremer a Casa Branca e seus aliados. “O vice-presidente: o que sabia e quando o soube?”, foi a manchete do programa televisivo CBS News, dedicado a Libby. A mesma frase foi empregada durante a investigação contra o então presidente Richard Nixon (1969-1974). Não são poucos, aliás, os jornais e canais de TV dos EUA que passaram a tratar esse novo escândalo como o “Plamegate”.

O que assombra a Casa Branca?
Após alcançar a cifra de 2 mil soldados norte-americanos mortos no Iraque, o “Plamegate” vem agora expressar o desgaste de uma guerra que gera cada vez mais oposição entre a população norte-americana. Basta lembrar que somente em um dia, 26 de outubro, ocorreram mais de 300 manifestações nos EUA contra a guerra do Iraque.
Os milhares de manifestantes antiguerra, as vigílias da ativista Cindy Sheehan (mãe de um soldado morto no Iraque), as atividades anti-recrutamento militar, o movimento de soldados “objetores de consciência” (soldados que se negam a lutar por considerar que a guerra vai contra os seus princípios), o descontentamento social pelo desastre de Bush no furacão Katrina, além de iniciativas como a greve dos 18 mil operários da Boeing, serão determinantes para a crise do governo de Bush.

Os dois mil soldados mortos no Iraque

Pouco antes de saber que 2 mil soldados norte-americanos foram mortos no Iraque, Bush dizia “esta guerra exigirá mais sacrifícios, mais tempo e mais determinação (…) os terroristas estão entre os inimigos mais ferozes que já enfrentamos”.

Bush contradisse, desta forma, declarações do embaixador dos EUA no Iraque, Zalmay Khalilzad, que previa a possibilidade da retirada de algumas das tropas norte-americanas. “Acredito que seja possível ajustar as forças, reduzindo o efetivo militar durante o próximo ano”, disse referindo-se ao processo eleitoral do referendo iraquiano, “[mas isto] dependerá não só da estratégia militar, mas de avanços políticos”.

O ex-candidato à presidência, o senador democrata John Kerry, defendeu a retirada de 20 mil militares após as eleições parlamentares de dezembro no Iraque. Entretanto, a oposição burguesa democrata não tem desacordo em manter a ocupação até que as “tropas iraquianas sejam treinadas para manter a estabilização”. Uma prova de que os democratas não querem o fim da guerra foi o episódio de uma mãe de soldado norte-americano morto no Iraque que exigiu do senador democrata, Teddy Kennedy, a imediata aprovação de uma moção no Senado exigindo a “retirada jᔠdas tropas. Os democratas, evidentemente, rejeitaram tal moção.

Nenhuma confiança na oposição burguesa democrata! Essa deve ser a atitude do movimento antiguerra. Apenas o ascenso do movimento e a disposição de luta do povo iraquiano podem expulsar as tropas ocupantes imperialistas e trazer os fantasmas do Watergate e do Vietnã para dentro da Casa Branca.
Post author Roberto Barros, da redação
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