Constituição iraquiana é aprovada em meio a fraude e bombardeios

Após dez dias desde o referendo constitucional patrocinado pelas forças de ocupação no Iraque, realizado em 15 de outubro, a Comissão Eleitoral Iraquiana (CEI) finalmente anunciou a aprovação do esboço da nova Constituição.

Qualquer análise que se faça sobre o referendo deve arrancar da constatação de que se trata de um dispositivo ilegal e ilegítimo. A IV Convenção de Genebra, da qual países como os EUA e a Inglaterra são signatários, proíbe “a modificação das leis nacionais ou instituições jurídicas por parte das potências ocupantes”. Não houve qualquer liberdade de expressão ou debate no que se refere a uma Constituição que trará às novas gerações iraquianas nada mais do que divisão territorial, tão-somente para satisfazer a sanha imperialista, apoiada pela casta religiosa xiita e pela burguesia curda.

Fraudes
A própria CEI determinou a recontagem de votos em 12 das 18 províncias do Iraque, pois em algumas seções e mesas eleitorais os votos favoráveis ao “sim” chegavam a 99%, lembrando as fraudes escandalosas de algumas ditaduras caricaturais.

Na cidade de Mosul, capital de Ninive, as primeiras projeções indicavam 76,6% a favor da Constituição e 21,5% contra. Porém, os dados da contagem final indicavam uma limitada margem de 55,08% de votos contra e de 44,92% a favor.

A resistência continua
O referendo constitucional não conseguiu atingir o objetivo de fazer recuar a resistência iraquiana que, mesmo dividida entre o chamado ao boicote e a campanha pelo ‘não’, não ofereceu trégua às forças de ocupação. Aviões e helicópteros norte-americanos bombardearam várias localidades próximas a Ramadi, deixando um saldo de 70 iraquianos mortos. As forças de ocupação alegam que as vítimas mortais “eram todas terroristas”. Contudo, um médico do Hospital de Ramadi que atendeu mortos e feridos declarou: “não eram terroristas, mas gente comum – inclusive crianças – bombardeada por aviões”.

Os bombardeios aéreos sobre a população, em plena recontagem de votos, antecipavam a exata dimensão do que o referendo constitucional representa para o povo iraquiano.
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