Brasil, um país doente

A situação caótica pela qual passa a Saúde Pública no Brasil é expressão do sucateamento e privatização do setorO capitalismo neoliberal atinge a saúde dos trabalhadores e do povo pobre de duas formas. Todas as duas violentíssimas. Por um lado, o desemprego aumenta, o salário diminui e as populações de bairros pobres sofrem com a falta de saneamento e habitações precárias. Isso favorece o aparecimento de doenças. Por outro lado, a privatização da saúde leva ao sucateamento dos hospitais públicos. O povo, doente, tem cada vez menos assistência. A falta de controle sobre as indústrias farmacêuticas leva ao encarecimento dos remédios.

Às doenças infecciosas tradicionais (pneumonia, tuberculose, diarréias etc) somam-se às novas (AIDS), e, devido às péssimas condições de vida e cortes de verbas na área da saúde, antigas doenças voltam a aparecer (cólera, dengue).

As doenças crônicas (hipertensão, diabetes etc) levam a utilização de medicação continuada, mas os remédios ficam cada vez mais caros.

Os trabalhadores sofrem com índices altíssimos de acidentes de trabalho, por falta de equipamentos de segurança. O estresse no trabalho aumenta o número de enfartes e acidentes vasculares cerebrais. O desemprego aumenta os casos de ansiedade e depressão, assim como a violência doméstica.

A privatização da Saúde

A privatização da saúde foi acelerada a partir dos planos neoliberais, desde o governo Collor, FHC e agora Lula. A “municipalização da saúde” faz parte deste plano. Isto porque os municípios, através do Sistema Único de Saúde, tornam-se responsáveis pelas gestões de hospitais e postos de saúde, mas as verbas correspondentes são cortadas para ampliar o superávit das contas do governo.

Todos os que enfrentam filas nos hospitais e nos postos de saúde sabem da precariedade da saúde pública. Entretanto, a maioria não sabe que este sofrimento pode ser explicado a partir de três letras: FMI.

O governo federal, ao mesmo tempo em que corta as verbas da saúde pública, repassa dinheiro para os hospitais particulares que praticam fraudes e barbaridades para ampliar seus ganhos. Hoje, mais de 70% dos leitos hospitalares estão sob controle privado.

O governo Lula, assim como as prefeituras petistas, mantém a mesma lógica neoliberal também na saúde: corta verbas para a saúde pública, estimulando os planos de saúde e fazendo vistas grossas para as falcatruas. É o caos para os trabalhadores.

Evidentemente, não é a mesma situação para todos. A burguesia e a alta classe média têm hospitais excelentes e modernos nas principais capitais do país, com todo o conforto e os recursos diagnósticos mais recentes.
Post author Eduardo Almeida, da redação
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