Ato em São Paulo presta solidariedade a dom Cappio

Solidariedade: ativistas em frente à Catedral da Sé, em apoio a dom Cappio
Diego Cruz

Cerca de 200 pessoas protestaram na tarde do dia 12 de dezembro, em São Paulo, contra o projeto de transposição do rio São Francisco e em solidariedade à greve de fome do frei dom Luiz Flávio Cappio. Ao mesmo tempo em que os manifestantes se concentravam nas escadarias da Catedral da Sé, o bispo completava 16 dias de jejum em Sobradinho (BA). Enquanto isso, o governo se mantém intransigente.

O ato reuniu um amplo espectro de entidades e organizações sociais contra a transposição. Estiveram presentes Grito dos Excluídos, Pastorais Sociais, Conlutas, Intersindical, Educafro, MTST e MST. “O projeto de transposição das águas do São Francisco, feito pelo governo Lula, só atende aos interesses do capital e do agronegócio, não aos interesses da população”, afirmou Paulo Pedrini, da Pastoral Operária.

Apesar da chuva, que insistia em castigar a capital paulista, os manifestantes saíram em passeata pelo calçadão lotado da cidade até o largo de São Francisco, onde está a Igreja de São Francisco. Padres franciscanos marchavam junto com ativistas, sindicalistas e militantes de movimentos por terra e moradia. “Estamos aqui todos juntos para dizer que estamos ao lado do frei Cappio e da população, contra o projeto do governo Lula que só beneficia os grandes fazendeiros”, disse João Zafalão, dirigente da Oposição Alternativa da Apeoesp e da Conlutas.

Liminar interrompe obras
Embora o governo siga intransigente em sua intenção de impor a transposição de qualquer forma, a Justiça Federal da Bahia concedeu liminar ao Ministério Público suspendendo temporariamente as obras. A liminar foi concedida para que se possa realizar uma nova avaliação das terras indígenas na bacia do rio.

Entre as inúmeras irregularidades denunciadas pelo ministério público estão a violação do princípio da gestão descentralizada dos recursos hídricos, assim como a ausência da participação popular. Apesar da liminar, porém, o dom Cappio continua em jejum. Após ser enganado e traído pelo governo, Cappio afirma que só encerrará sua greve de fome depois que o Exército interromper as obras e se retirar da região.

Governo intransigente
Nesse dia 12, o atual presidente da CNBB, Geraldo Lyrio Rocha, reuniu-se com Lula para discutir a greve de fome. A entidade se ofereceu para intermediar uma negociação entre o governo e o bispo. Por fim, apesar do crítico estado de saúde do franciscano, o governo afirmou que manterá a transposição.

Mesmo com o caso caminhando rapidamente para uma tragédia, Lula prefere manter seus compromissos com os fazendeiros e o agronegócio. O governo lança, agora, uma campanha para defender a transposição e desmoralizar o protesto do frei. No entanto, dom Cappio vê aumentar cada vez mais o apoio à sua greve de fome. No último dia 9, cerca de 4 mil pessoas de várias partes do Nordeste foram a Sobradinho (BA) prestar solidariedade ao religioso. Dom Cappio recebeu, entre os milhares presentes, personalidades, como a atriz Letícia Sabatela.