Ativista haitiano é assassinado a tiros

Dirigente da luta pelo reajuste do salário mínimo é morto a tiros horas antes da tragédiaPoucas horas antes do terremoto, foi assassinado no Haiti o professor Jean Anil Louis –Juste, intelectual e militante de esquerda, quando participava de uma manifestação estudantil em protesto contra a ocupação militar. Jean foi morto por dois jovens não identificados e a imprensa haitiana logo apressou-se em apontar o crime como resultado de um assalto.

Jean Anil era professor de Sociologia da Université d’État (UEH), um dos espaços de referência nas lutas pelo 1º de maio independente e pelo reajuste do salário mínimo, em agosto e setembro de 2009. A Faculdade de Ciências Humanas, onde trabalhava, foi cercada e atacada diversas vezes este ano pela Minustah. A perseguição a Jean era tamanha que até a primeira-ministra chegou até a pressionar a reitoria para demitir o professor.

O professor denunciava permanentemente a situação do Haiti, mostrando como este país tornou-se tão empobrecido, resgatando com orgulho as lutas históricas de seu povo. Era crítico severo da submissão dos governos à

Janil atuou na construção da Associação Universitária Dessaliniana (ASID, em língua haitiana). A participação da ASID na frente de todas as lutas sociais no Haiti durante esse curto tempo as elites não poderiam deixar sem reação. O assassinato de Janil foi planejado. Dois matadores de aluguel foram contratados para perpetuarem o crime e darem-no um caráter de banditismo de rua.

Neste momento de dor e comoção pela tragédia que se abateu sobre o país, homenagear Jean é intensificar todo apoio e solidariedade ao povo haitiano, exigir do governo Lula a imediata retirada das tropas brasileiras do país, ajuda humanitária efetiva (alimentos, água, remédio, profissionais da área da saúde, dinheiro, etc.). E que o próprio povo defina os rumos da reconstrução do seu país.

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