As máfias e a burguesia

O Primeiro Comando da Capital foi criado em agosto de 1993 por oito presos no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté (SP), conhecido como “Piranhão“. O surgimento da organização criminosa tem relação direta com o massacre do Carandiru, em que a Polícia Militar matou 111 detentos em 1992.

No início, a organização foi chamada de Partido do Crime e de 15.3.3, por causa da ordem das letras no alfabeto. Em seus primeiros manifestos, diziam que pretendiam “combater a opressão dentro do sistema prisional paulista” e “vingar os 111” do Carandiru. Nos últimos anos, a facção cresceu enormemente e controla praticamente todos os presídios paulistas.

O PCC possui enorme poder de fogo e dinheiro para comprar armas, justamente por ter ramificações no aparato do Estado burguês e na polícia. Afinal, de onde vêm o dinheiro para que a facção compre fuzis e revólveres? De onde vem as granadas usadas pelo PCC que, em tese, são de uso exclusivo do Exército?

Todas as ações, como a atual e rebeliões anteriores, são deliberadas pela cúpula da organização, dentro dos próprios presídios. Tudo isso só ocorre graças à corrupção dos órgãos de segurança.

PARTE DA BURGUESIA
O PCC é um grupo mafioso que sobrevive de crimes, seqüestros e, principalmente, do dinheiro do tráfico de drogas. Os dados são imprecisos, mas, segundo a ONU, a indústria do narcotráfico movimenta de US$ 750 bilhões a US$ 1 trilhão. Portanto, é um lucrativo negócio capitalista que se sustenta com ramificações em todas as esferas estatais, empresariais e sociais.

Com a proliferação da miséria e do desemprego que assola milhões nas grandes cidades, o tráfico recruta seus “soldados” entre a população pobre da periferia. Controla áreas inteiras, utilizando métodos violentos de terror com uma estrutura paramilitar.

A cúpula das organizações criminosas é parte de uma burguesia degenerada, que vive do milionário negócio das drogas. Esse setor se enfrenta violentamente com o Estado, mas está diretamente associada a setores “normais” das elites, como empresários, políticos, juízes etc., lavando dinheiro em empresas, bancos e financiando campanhas eleitorais. Fazem parte do sistema capitalista.

Post author ARISTIDES LOBO, de São Paulo (SP)
Publication Date