As lições de Chicago

Greve mostra espaço aberto para as lutas nos Estados Unidos. Operários poderiam ter ido além e garantido seus empregos?A greve da fábrica Republic Windows and Doors, em Chicago, durou seis dias e alcançou repercussão nacional, tornando-se um símbolo da resistência. Até o presidente eleito Barack Obama, morador de Chicago, teve de reconhecer que os trabalhadores estavam certos.

Quando começaram a ocupação, os trabalhadores não imaginavam que o movimento poderia vir a ter o alcance que teve. Alguns chegaram a admitir que, em vez de aparecer na TV e nos jornais, acreditavam que iriam parar “na cadeia”. Não foi o que se viu.

A greve mostrou o espaço aberto nos Estados Unidos para a luta contra a crise. Em recessão, a classe trabalhadora do país tem pago a conta pela crise. Milhares de casa perdidas, empregos e rebaixamento salarial. Em alguns locais, como no estado de Michigan, o desemprego já chega ao índice de 9%, assustador para a maior economia do mundo.

Vitória incompleta
A ocupação desta fábrica em Chigago não foi apenas uma luta trabalhista como tantas outras. Conseguiu simbolizar o repúdio contra a crise e apontar uma saída. Essa foi a razão de sua força. E, justamente por isso, talvez pudesse ter ido além, conquistando mais do que apenas o pagamento dos direitos dos demitidos.

A pergunta que fica, mesmo daqui, do Brasil, é se os 260 operários não poderiam ter conquistado a manutenção de seus emrpegos. Se as condições, incluindo o apoio conquistado, não permitiriam manter a fábrica produzindo, sob controle dos trabalhadores. Esta medida, já vista em tantos outros momentos, e recentemente na Argentina, poderia garantir os postos de trabalho, e jogaria a conta para os banqueiros e os donos da empresa.

Ainda que limitando-se a exigir o garantia dos pagamentos, a greve foi uma primeira demonstração de que algo pode estar mudando nos Estados Unidos. Após décadas, a tática da ocupação voltou a ser vista no país. Os operários de Chicago saem com um grande sentimento de vitória e deram uma grande lição aos patrões, sob os olhares atentos de trabalhadores de todo o país. Mostraram que é possível lutar e vencer. E que uma das conseqüências da crise pode ser o retorno do proletariado mais importante do mundo.

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