Articulação Sindical pede ajuda à Lula para evitar `maior greve da história dos Correios`

Dirigentes sindicais governistas protocolaram carta na Presidência da República, onde dão detalhes da disputa na base e alertam seu chefe para a revolta dos trabalhadores.Vejam no documento abaixo e em anexo, a que ponto chegaram os pelegos da Articulação nos Correios, agindo como verdadeiros agentes da ABIN, quando em seu documento oficial protocolado no CODIN da Presidência da República, relatam detalhes do movimento sindical e entregando organizações operárias, diretamente ao chefe do corrupto governo Lula.

O documento fala por si só. A Articulação é contra a greve que, segundo eles mesmos, `na atual conjuntura será extremamente prejudicial à estabilidade do governo Lula` e pode ser `a maior greve da história dos Correios`.

Solicitamos que todos leiam e enviem moções de Repúdio ao Comando de Negociações da federação (FENTECT), no seguinte endereço eletrônico:
fentect@brturbo.com.br

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BSB, 23 DE AGOSTO DE 2005.

EXMO. Sr. Presidente da República
Sr. Luiz Inácio Lula da Silva

A Articulação Sindical vem trabalhando ao longo dos anos na tentativa de obter a maioria dos delegados nos congressos da nossa categoria ecetista e, assim, conduzir os trabalhos e discussões dentro da nossa ótica política, prática esta já implementada com sucesso há algum tempo.
Assim é que elaboramos uma proposta que possibilitasse uma discussão com a empresa, ECT, com a maior responsabilidade, coerência e maturidade, sendo importante salientar que nos propomos a aceitar um acordo coletivo com vigência até por dois anos, ou seja, até 31.08.2007, o que nos dá a possibilidade de buscarmos uma alternativa de parcelamento das perdas salariais e aumento real, que totalizam o importe de 52,23%, em 3 vezes, lembrando, ainda que em todo país, disputamos esta proposta nas assembléias contra o PSTU, PCO e PSOL que defendem 94% ou greve.
Vencemos no país inteiro com 80% de aprovação. Gostaríamos de frisar que, com a proposta atingiremos 92,53% da categoria, quais sejam , os trabalhadores operacionais, chamados trabalhadores “chão-de-fábrica”, os verdadeiros “cartões de visita” da empresa.

Nossa proposta encontra respaldo no balanço financeiro do exercício de 2004, sendo que, segundo a revista “Exame – Melhores e Maiores” (páginas 244/245), a ECT teve um crescimento em relação ao ano de 2004, na ordem de 9,2%, obtendo um lucro líquido legal (já descontados os impostos) de US$ 119.400.000,00 (cento e dezenove milhões e quatrocentos mil dólares), tendo cada um de seus 107.836 funcionários, criado uma riqueza para a empresa no montante de US$ 15.500,00 (quinze mil e quinhentos dólares), que convertidos em reais pela cotação de hoje, 24.08.2005 (R$ 2,417), corresponde à R$ 288.589.800,00 (duzentos e oitenta e oito milhões, quinhentos e oitenta e nove mil e oitocentos reais) e R$ 37.463,50 (trinta e sete mil, quatrocentos e sessenta e três reais e cinqüenta centavos), respectivamente, cabendo ressaltar, ainda, que dentre 100 maiores empresas da região centro-oeste, a ECT encontra-se em segundo lugar, perdendo apenas para a Brasil Telecom.

Cabe esclarecer, também, que o maior impacto na folha de pagamento dos Correios, se dá com o pagamento das “remunerações singulares”, assim chamados os cargos de confiança, muitos deles criados para beneficiar um ou outro “apadrinhado”. Tais funções, enquadrados na referência salarial acima de 35, além de exercerem cargo de confiança, recebem a “remuneração singular”, ou seja, ao invés de receberem o salário referente a função original e mais a gratificação de função, como por exemplo o de Carteiro e a gratificação de supervisor, recebem a “remuneração singular”, recebem um salário superior, em média, 6 vezes maior que o salário referente à função convencional, sendo que o mais grave é que tais remunerações independem da campanha salarial para serem reajustadas, pois os critérios e os valores são definidos em reunião de diretoria (REDIR).

O objetivo principal desta campanha salarial é conquistar ao menos as duas isonomias de férias e anuênios, a fim de diminuir a disparidade salarial existente na ECT que é de 15.4 vezes, isso sem levar em consideração as remunerações singulares, os famosos “trem-da-alegria” que beneficiavam somente os funcionários de nível superior e técnico, através de reenquadramento da referência salarial, excluindo totalmente o de nível básico, o trabalhador “chão de fábrica”.
Quadro Nacional: A categoria está insatisfeita diante do posicionamento da ECT que, mais de uma vez, ameaça retirar conquistas e recomeçar as negociações do “zero”, não restando alternativa outra à categoria que, se não, a deflagração do movimento paredista que, ao que tudo indica, promete ser a maior greve dos Correios da história.

Avaliação dos membros do Comando da Articulação Sindical consensuada com as principais lideranças do país: Uma greve na atual conjuntura será extremamente prejudicial à estabilidade do governo LULA, podendo influenciar, ainda, a avaliação e decisão do STF sobre a quebra do monopólio. Portanto é fundamental a abertura de todos os canais de negociação e a mobilização de todos os setores minimamente interessados, para que juntos alcancemos nossos objetivos e não deixemos que a esquerdália-direitista e a direita deste país tenham êxito quanto à tentativa de golpe branco e desmoralização pública do nosso Presidente.

Cabe informar que, em audiência com o Ministro das Comunicações, este se dispôs a intermediar pessoalmente as negociações coletivas, ante iminente possibilidade da deflagração da greve, tendo este, ainda, demonstrado sensibilidade quanto aos baixíssimos salários dos trabalhadores dos Correios, bem como aos risíveis critérios adotados pela empresa para a concessão da progressão profissional e reajustes, práticas estas herdadas pela ditadura militar.

No entanto é importante deixar claro que se não houver uma mobilização do governo para que parte das discrepâncias que hoje existem nos Correios seja corrigida, muito provavelmente será impossível controlar as nossas bases que não suportam mais serem ludibriadas, utilizadas como simples massa de manobras por políticos inescrupulosos, observando, até então, de forma passível seus direitos e anseios serem negociados em troca de cargos e favorecimentos pessoais.

A categoria ecetista, como a população como um todo, encontra-se chocada e enormemente decepcionada com os recentes escândalos que envolvem membros de nosso partido, o que nos obriga a conduzir com firmeza e determinação as negociações, sob pena de sermos tachados de traidores e jogados na vala comum dos desonestos, corruptos e pelegos.

Caberá a nós, dirigentes e membros da ARTICULAÇÃO SINDICAL conduzirmos a greve nacional dos Correios, se assim decidir a categoria e se não houver um comprometimento maior por parte da direção da empresa e dos nossos governantes quanto aos anseios da categoria, com a responsabilidade e seriedade que a conjuntura nacional requer, sob pena de comprometermos e fragilizarmos, ainda mais, o governo federal, de tal forma de que torne inviável a reeleição do companheiro LULA, enterrando de vez nossos sonhos, desconstruindo a utopia.

Rogério Queiroz Trabuco

João Maurício G. da Silva

(Protocolado no dia 29 de agosto, às 11h18)

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