Após um mês, termina a greve dos terceirizados da Revap

Terceirizados retornam ao trabalho
Sindmetalsjc

Trabalhadores decidiram, em assembléia, voltar ao trabalho hoje pela manhãTerminou hoje de manhã a greve dos cerca de 12 mil trabalhadores terceirizados da Revap (Refinaria Henrique Lage). A decisão foi tomada em assembléia, por volta das 7h30 e, logo após, todos os trabalhadores retomaram as atividades.

Segundo o coordenador regional da Conlutas, José Donizete de Almeida, o que levou ao fim da paralisação foi o fato de as empresas terem suspendido as 800 demissões que haviam sido feitas pelas empreiteiras, em represália à greve.

Quanto aos dias parados, ficou mantido o pagamento de apenas três dias. Os demais serão descontados da seguinte forma: 10 dias das férias e 17 dias da rescisão, quando os trabalhadores forem desligados da empresa.

No entanto, a compensação dos dias parados ainda poderá ser negociada com cada empresa, de forma individual.

Com a duração de um mês, a greve teve uma avaliação positiva, segundo Donizete. “Foi um mês de paralisação dura, forte e radicalizada, que mostrou a força e a disposição de luta dos trabalhadores, por melhores condições de trabalho”, disse.

Entre as conquistas da greve estão 10% de reajuste salarial, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de R$ 1.500, melhoria no percentual de horas extras, abono da terça-feira de Carnaval, estabilidade de 90 dias e reembolso da passagem, a cada 120 dias, para trabalhadores que moram a mais de 200km da Revap.

Mediação
Na semana passada, a comissão de negociação da greve, apoiada pela Conlutas, requereu ao Ministério do Trabalho da 15ª região que convocasse as empreiteiras para uma audiência de mediação. O objetivo é discutir o impasse e encontrar uma solução para os trabalhadores.

Na solicitação, a comissão alegou que as empresas, que se negam a negociar, adotaram uma postura anti-sindical, pressionando os trabalhadores com o envio de telegramas que pediam o retorno imediato ao trabalho. Além disso, as empreiteiras convocaram a Polícia Militar para reprimir a greve, em vários dias, e atrasaram o pagamento de salários, como forma de pressionar os trabalhadores.

O pedido foi acatado e a audiência deve acontecer nesta semana.

A Comissão de Negociação também deve entrar nesta semana com um recurso na sessão de dissídios coletivos do TRT (Tribunal regional do Trabalho) de Campinas, pedindo a suspensão da abusividade da greve.

A Comissão vai alegar, como argumento, que os patrões tinham ciência do movimento dos trabalhadores e que, por isso, a greve não foi arbitrária.