Apoio incondicional ao MST e às ocupações de terras!

O PSTU – neste momento em que o MST está sendo violentamente atacado em nosso Estado – vem a público anunciar seu incondicional apoio às ocupações de terra e à recente ocupação da fazenda Ana Paula, realizada pelos trabalhadores sem terra, e exigir do governo federal a retomada imediata das vistorias e a Reforma Agrária na prática e não apenas na propaganda oficial.

As ocupações da Fazenda Bom Retiro, em Julio de Castilhos, e do Condomínio Ana Paula, em Hulha Negra, tão criticadas por alguns, são legítimas e são o único instrumento capaz de acelerar a distribuição da terra em nosso Estado. Mais que legítimas, são formas de luta necessárias, que devem ser apoiadas por todos que defendem a verdadeira Reforma Agrária no Brasil e no nosso Estado.

Repudiamos o clima de guerra criado pelos fazendeiros, bem como a proposta da FARSUL de retirar os trabalhadores sem-terra acampados às margens das rodovias federais. Aqueles que devem ser investigados são os fazendeiros, que além de terem fazendas improdutivas impedem as vistorias do INCRA, fazem milícias armadas ilegais para atacar os que lutam pela vida e um pedaço de terra.

Repudiamos também a tentativa de abrir uma CPI para investigar os sem-terra no Estado. O MST é um movimento social que tem reconhecimento da ampla maioria da população, parceiro do conjunto dos movimentos sociais que lutam por uma vida melhor. Quem deve se submeter a CPI são os grandes sonegadores do Rio Grande do Sul, que desfalcam os cofres públicos. Por que os deputados não fazem uma CPI para investigar a caixa preta dos processos de privatização do governo anterior?

Exigimos do Governo Olívio uma postura de apoio incondicional ao MST, que não repita os lamentáveis confrontos entre Policiais e militantes da luta pela terra e que adote todos as medidas possíveis e necessárias para destruir as milícias armadas dos fazendeiros. Exigimos que ele suspenda o pagamento da dívida do Estado com o governo federal e use este dinheiro para garantir crédito aos assentamentos e avançar a Reforma Agrária no Estado.

Chamamos a CUT, o PT, PCdoB e PCB a fazer uma campanha de solidariedade ao MST no Estado do Rio Grande do Sul. Vamos colocar nossa militância ombro a ombro com o MST para impedir que o latifúndio siga mandando em nosso Estado.

É preciso que os trabalhadores e a juventude cerquem de solidariedade o MST e denunciem a hipocrisia do governo FHC e seus aliados no RS.

Para acabar com a tensão no campo, somente fazendo Reforma Agrária, acabando com o latifúndio improdutivo e distribuindo as terras para quem nela trabalha.

Reforma Agrária Já!

Apoio às ocupações!

Retomada imediata das vistorias nas fazendas!

Porto Alegre, 08 de maio de 2002

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU
Julio Flores
Presidente Estadual