Aonde vai o Equador?

No dia 26, o candidato Rafael Correa foi eleito presidente do Equador no segundo turno das eleições. Com 66% dos votos, venceu o candidato direitista apoiado pelos EUA, Álvaro Noboa, que obteve 33,7%.

Com um discurso chamado de “nacionalista” pela grande imprensa, Correa capitalizou eleitoralmente o forte sentimento de mudança que impera no país desde 2000. Naquele ano, os trabalhadores e os povos indígenas realizaram uma grande marcha que terminou na queda do presidente Jamil Mahuad.

Os três últimos presidentes eleitos não conseguiram chegar ao final do mandato, derrubados por revoltas populares. O último a cair foi Lucio Gutiérrez, em abril de 2005.

A eleição de Correa é a expressão eleitoral da vontade de mudanças que percorre a América Latina. Tal sentimento refletiu-se de maneira distorcida nos nas eleições que conduziram Evo Morales, Daniel Ortega (Nicarágua), Chávez e Lula ao poder.

Depois de se proclamar como o novo presidente do Equador, Correa disse que nas eleições não houve nem “vencedores nem vencidos”. Está claro que o novo governo ficará a anos luz de atender os trabalhadores. Correa foi ex-ministro da Economia do atual governo e, quando ocupou a pasta, nada fez para melhorar as condições de vida do povo.

Apesar de dizer que não assinará o Tratado de Livre Comércio com os EUA, o presidente eleito tem dito que vai manter a dolarização da economia, principal medida para a recolonização do país. Sobre a dívida externa, Correa não defende sua suspensão, apenas diz que é preciso renegociá-la.

Durante a campanha, o novo presidente afirmou que vai rever os contratos do Estado com as empresas petroleiras instaladas no país. Atualmente metade das receitas fica com as empresas, e os outros 50% com o Estado. Correa diz que vai aumentar a receita para o Estado, mas não propõe nenhuma nacionalização ou expulsão das multinacionais – entre elas a Petrobras.

Os trabalhadores do Equador, com sua larga experiência de levantes e insurreições, devem estar atentos e não depositar nenhuma confiança no governo Correa.

 

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