América Latina: um continente em luta contra a recolonização

A América Latina expressa também a polarização da luta de classes: de um lado a ofensiva econômica imperialista (com o FMI, a Alca etc.), seu ataque militar (com o plano Colômbia e as bases). Do outro lado, a luta dos povos, com resistência, crises e revoluções.

No primeiro lugar do pódio ficou a Bolívia, com uma insurreição operária e socialista que derrubou Sánchez de Losada, em outubro de 2003, abrindo um vazio de poder, que a burguesia de apressou em cobrir, colocando Carlos Mesa no governo, com apoio do MAS, de Evo Morales. Imensas mobilizações contra a entrega do gás voltaram a sacudir o país em 2004, forçando Mesa a convocar um referendum totalmente manipulado, mas no qual a população conseguiu expressar seu repúdio.

A burguesia latino-americana e o imperialismo utilizam sistematicamente contra os processos revolucionários a arma da democracia burguesa, desviando para as eleições o movimento de massas, com a apoio das direções reformistas. Isso aconteceu na Bolívia, assim como na Argentina.

Neste país, a eleição de Kirchner provocou esperanças nas massas e um refluxo nas grandes lutas do povo, com um fortalecimento do governo. Apoiados em um crescimento econômico (que existe em todo o mundo capitalista, inclusive no Brasil), o regime democrático-burguês conseguiu se recompor parcialmente. No entanto, o enorme desemprego e a grave situação social continuam em pé. O movimento operário, com suas lutas, está voltando à cena e Kirchner mostra seu lado repressivo, prendendo lutadores como os de Caleta Olivia.

No Uruguai, o governo de Battle esteve na corda bamba durante todo o ano e, em novembro, a Frente Ampla venceu as eleições com grande vantagem sobre os tradicionais partidos Blanco e Colorado. Apesar do prestígio inicial, as lutas devem continuar já que a Frente Ampla se propõe a seguir os passos do PT de Lula.

No Peru e no Equador, o grande prestígio inicial dos governos de Toledo e Lucio Gutierrez se esfumaçou logo que começaram a abandonar suas promessas e a aplicar os planos do FMI.

Golpes e presença militar

Na Colômbia, o exército, mesmo com os paramilitares e a assessoria dos EUA, não consegue derrotar a guerrilha. Isso está exigindo a presença cada vez maior de norte-americanos. Uribe, que chegou a ganhar um apoio importante na população, foi derrotado no plebiscito no qual buscava respaldar seu plano neoliberal e perdeu as eleições municipais em várias cidades, como Bogotá.

Na Venezuela, apesar das massas derrotaram o golpe orquestrado pelo imperialismo e a burguesia local, Chávez tentou conciliar com a direita golpista evitando tomar medidas que atacassem o poder econômico da indústria petroleira e dos meios de comunicação, que estiveram por trás do golpe. O discurso “terceiro-mundista“ de Chávez atrai a simpatia dos setores mais empobrecidos e dos ativistas antiimperialistas. No entanto, segue aplicando um plano neoliberal, pagando a dívida e negociando com as petroleiras norte-americanas.

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