Algumas notas sobre a aliança eleitoral entre o PSOL e o PTB no Amapá

“Me dêem seu voto de confiança para eleger Lucas 14 e Randolfe 500 Senador e vamos iniciar um novo tempo de harmonia, paz e desenvolvimento”. Com essas palavras o candidato do PTB ao governo do estado finalizou sua participação no debate promovido pela afiliada da Rede Globo, no dia 28 último que, aliás, engrossou a linha de boicote que desenvolveram todas as emissoras de TV à participação do candidato do PSTU, Genival Cruz.

Na verdade, a intervenção do candidato petebista, apenas ilustra o grau de comprometimento entre as duas organizações políticas que batalharam entre si por essa aliança. O objetivo inicial era a coligação, vetada pela direção nacional do PSOL momentos antes do registro junto ao TRE, mas que, segundo as palavras do próprio Randolfe, não iria inviabilizar o projeto de unidade com o objetivo de moralizar a política no Amapá.

O problema todo é que a tal “moralização” ficou mais distante após os escândalos de corrupção que levaram à prisão do atual e antigo governador, ambos candidatos, através da operação da Polícia Federal, intitulada “Mãos Limpas”. Uma mega operação que investigou o montante desviado de cerca de R$ 900 milhões!

Um pouco da história de capitulação à democracia burguesa
De aliados políticos do PSB, a corrente do candidato Randolfe – APS – se converteu em grandes defensores da política de ampliação do arco de alianças que canalizasse esforços dos partidos ditos de esquerda e sem compromisso com as velhas oligarquias dominantes, para uma alternativa eleitoral.

O curioso, pra dizer o mínimo, é que essa alternativa se materializou na aliança com um candidato que é declaradamente afiliado político de Sarney, nomeado pelos antigos atos secretos do Senado que escandalizaram o país no ano passado e que traz como vice, nada menos que um dos maiores empresários lojista do estado. Temos então, por essa lógica, uma nova formulação de “oligarcas humanos”, uma espécie de genérico da lamentável tese levantada pelo PT na década de 90, para justificar suas alianças de classe com a suposta “burguesia progressista”. O espetacular nessa história coube à CST, que se declara defensora do voto nulo, um completo desconhecimento da postura das organizações morenistas diante de traições dessa natureza!

O que espera o futuro dos trabalhadores amapaenses
Como disse por várias vezes o candidato do PSTU nos debates que foi convidado, não há como esconder que existem, nessas eleições, duas propostas: uma dos outros candidatos, que apesar de estares divididos agora, sempre estiveram juntos para explorar os trabalhadores e votar medidas que reduzem direitos e de outro lado, os lutadores da CSP-CONLUTAS, dos movimentos populares e da juventude contrária à reforma universitária de Lula/FMI. Somente a permanente unidade dos trabalhadores será possível resistir a um novo governo seja de oligarcas bons ou maus!

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