Morreu, na madrugada desta segunda-feira, 4, no Rio de Janeiro, por coronavírus, o compositor, cronista e escritor Aldir Blanc. O artista de 73 anos escreveu algumas das canções mais famosas da Música Popular Brasileira como o “O Bêbado e a Equilibrista”, que se tornou um dos hinos da luta contra a ditadura militar e foi eternizada na voz de Elis Regina.

Aldir Blanc Mendes nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 setembro de 1946. Em 1966, ingressou na Faculdade de Medicina, especializando-se em psiquiatria. Em 1973, abandonou o curso para dedicar-se exclusivamente à música.

Além de “O Bêbado e a Equilibrista”, feita em parceria com João Bosco, compôs outras famosas canções da MPB como “Bala com Bala”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “De Frente Pro Crime”, “Caça à Raposa”, “Dois pra Lá, Dois pra Cá” e “Resposta ao Tempo”.

Junto com João Bosco, emplacou algumas canções na trilha de abertura de novelas e séries, como “Doces Olheiras” (na novela Gabriela, da TV Globo, em 1975), “Visconde de Sabugosa” (para O Sítio do Pica-Pau Amarelo, em 1977), “Coração Agreste” (em Tieta, de 1979), “Confins” (em Renascer, de 1993), “Suave Veneno” (na novela homônima, de 1999), “Chocolate com Pimenta” (tema de novela homônima, em 2003), “Bijuterias” (para a minissérie “O Astro”, no remake de 2011).

Enquanto cronista, reconhecido pelas bem-humoradas histórias e personagens da Zona Norte do Rio, esteve presente nas páginas dos jornais O Dia, O Estado de S. Paulo e O Globo. Também publicou vários livros, entre eles “Rua dos Artistas e Arredores” (Ed. Codecri, 1978); “Porta de tinturaria” (1981), “Brasil passado a sujo” (Ed. Geração, 1993); “Vila Isabel – Inventário de infância” (Ed. Relume-Dumará, 1996), e “Um cara bacana na 19ª” (Ed. Record, 1996), com crônicas, contos e desenhos.

Era um observador das ruas, poeta da vida e da cidade. Em suas crônicas revelava suas paixões: o bairro de Vila Isabel, onde passou a infância; o Vasco da Gama, seu time do coração; e o Carnaval. Foi ele quem batizou um dos mais tradicionais blocos de carnaval do Rio de Janeiro, o “Simpatia é Quase Amor”, que desfila há anos em Ipanema, na Zona Sul.

Aldir Blanc morreu, mas seu legado fica. Suas canções e crônicas, assim com a luta contra autoritarismo, a censura e a defesa da liberdade de expressão. Por ele e por todas as outras vidas ceifadas pela “gripezinha” do presidente genocida, temos que seguir firmes na luta. Fora Bolsonaro e Mourão! Ditadura Nunca mais!

Aldir Blanc, presente!

* 2 de setembro de 1946

+ 4 de maio de 2020